-
Líder supremo do Irã desafia EUA e petróleo dispara
-
Barça tem, neste fim de semana, primeira chance de conquistar bicampeonato espanhol
-
Na volta da F1, Antonelli defende sua liderança histórica em Miami
-
Mirra Andreeva e Marta Kostyuk vão se enfrentar na final do WTA 1000 de Madri
-
Britney Spears é acusada de dirigir sob efeito de álcool e drogas
-
Kei Nishikori anuncia que vai se aposentar no final da temporada
-
Fifa vai rever estratégia de venda de ingressos para Copa do Mundo de 2030
-
Presidente da federação palestina se recusa a posar ao lado de dirigente israelense em congresso da Fifa
-
Maradona era 'bipolar' e tinha 'transtorno narcisista', diz psicólogo em julgamento sobre sua morte
-
Rei Charles II encerra visita aos EUA com imersão na cultura americana
-
Milei assiste a exercício militar com EUA a bordo do porta-aviões USS Nimitz
-
Crystal Palace derrota Shakhtar (3-1) na ida das semis da Conference; Rayo Vallecano vence Strasbourg
-
Candidato de esquerda Sánchez lança campanha para 2º turno no Peru antes de resultados finais do 1º
-
Forest vence Aston Villa (1-0) em casa na ida das semifinais da Liga Europa; Braga bate Freiburg
-
Honda acredita ter corrigido problemas do motor da Aston Martin na F1
-
Bottas revela dieta perigosa que o deixou à beira da inanição na F1
-
Zverev vence Cobolli e vai às semifinais do Masters 1000 de Madri
-
Princesa Diana terá série documental com gravações inéditas
-
Congresso derruba veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz pena de Bolsonaro
-
Do campo de areia para a Copa do Mundo: a trajetória de sucesso do artilheiro colombiano Luis Suárez
-
Morre, aos 88 anos, o pintor e escultor alemão Georg Baselitz
-
Presidente do Panamá diz que detenção de embarcações em portos chineses é medida política
-
Colômbia avalia enviar hipopótamos de Pablo Escobar à Índia a pedido de bilionário
-
Presidente da Fifa confirma que Irã disputará Copa do Mundo nos Estados Unidos
-
Voos comerciais dos EUA para a Venezuela são retomados após sete anos
-
Arrascaeta passa por cirurgia na clavícula após fratura e é dúvida para Copa do Mundo
-
Candidato de esquerda lidera nova pesquisa a um mês das presidenciais na Colômbia
-
Mirra Andreeva vence Hailey Baptiste e vai à final do WTA 1000 de Madri
-
Congresso debate PL da dosimetria, que pode reduzir pena de Bolsonaro
-
Trump qualifica Charles III como 'o maior de todos os reis' ao concluir visita de Estado
-
Starmer acusa Irã de 'querer prejudicar judeus britânicos' após ataque deixar dois feridos
-
Rio respira ar latino antes do megashow da Shakira
-
Confederação Africana apoia candidatura de Infantino à reeleição na Fifa
-
México pede provas 'irrefutáveis' sobre governador acusado de narcotráfico pelos EUA
-
Capelão para vivos e mortos no campo de batalha na Ucrânia
-
Aeroporto de Bogotá interrompe brevemente suas operações devido a um drone
-
Economia dos EUA cresce menos que o esperado e inflação dispara
-
Blockx elimina atual campeão Ruud e avança às semifinais em Madri
-
Preços do petróleo caem após maior alta em quatro anos
-
Casa Branca se opõe a ampliar acesso da Anthropic ao modelo Mythos, diz imprensa
-
Mau começo de ano para a zona do euro, com crescimento quase nulo e inflação em alta
-
Pontos-chave da primeira conferência global para eliminar os combustíveis fósseis
-
Foguete europeu Ariane 6 colocou em órbita o 2º lote de satélites da Amazon Leo
-
Israel intercepta flotilha para Gaza e detém 211 ativistas, dizem organizadores
-
Quatro pessoas resgatadas após ônibus cair no Sena perto de Paris
-
Irã desafia bloqueio dos EUA e preço do petróleo dispara
-
Países unem forças em Santa Marta para começar a se afastar do petróleo
-
Liberdade de imprensa cai a nível mais baixo em 25 anos, alerta RSF
-
Voos comerciais de Miami a Caracas são retomados após sete anos
-
Israel intercepta flotilha para Gaza na costa da Grécia e detém pelo menos 175 ativistas
Capelão para vivos e mortos no campo de batalha na Ucrânia
O capelão Mikola Bagirov coloca pedaços de pães consagrados sobre um altar instalado atrás de uma rede de camuflagem em uma floresta do nordeste da Ucrânia, a dezenas de quilômetros da linha frente.
Soldados ucranianos se alinham à sua volta, saindo de pinheiros ao redor.
"Queridos irmãos e irmãs, a liturgia irá durar cerca de três horas. Se alguém ficar com fome e comer um pouco de salsicha, só se certifiquem de que eu não veja!", disse Bagirov, indicando com a cabeça a comida empilhada sobre uma mesa.
Felizmente para os presentes, o culto matinal dura cerca de uma hora.
O sacerdote católico grego de 39 anos, de cabelos bem curtos e avermelhados, sempre leva piadas e comida quando visita grupos militares. Um truque que ele aprendeu e que o ajuda a conquistar um público às vezes difícil.
Como centenas de clérigos que se juntaram a unidade militares após a invasão russa em fevereiro de 2022, Bagirov enfrenta o desafio diário de propagar a fé em meio ao conflito mais mortífero da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
"Ninguém estudou para isso, ninguém está preparado. Nunca pensei que usaria um uniforme e depois outro. Foi muito difícil no começo. Não sabia como me aproximar das pessoas, como escolher minhas palavras, nem sequer para onde ir", relata.
Agora ele prega na região nordeste de Kharkiv junto a 33ª Brigada Mecanizada Independente, a mais de mil quilômetros de sua casa, nos Montes Cárpatos.
Cresceu em uma comunidade greco-católica à qual autoridades soviéticas, assim como fizeram com as demais religiões, haviam proibido.
Os cultos religiosos eram realizados clandestinamente em residências particulares, tradição que continuou até mesmo depois da queda da União Soviética.
Para o jovem Bagirov, isto conferia à religião uma aura de mistério. Ele ficava impressionado com os sacerdotes que voltavam dos campos de prisioneiros do Gualg com a fé intacta.
"Foi uma experiência profunda de fé, e provavelmente esta seja a força que me impulsiona", disse à AFP.
Os greco-católicos reconhecem a autoridade do papa de Roma, mas celebram a missa segundo o rito oriental, como as igrejas ortodoxas.
- "Não quero enterrar mais ninguém" -
Cerca de 70% dos ucranianos se consideram crentes. A maioria são ortodoxos, mas cerca de 12% são greco-católicos, segundo o instituto de pesquisa Razumkov Centre.
Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, não demorou muito para que os primeiros corpos de soldados mortos começassem a chegar à paróquia de Mykola Bgagirov. A igreja celebrava um funeral atrás do outro, lembra.
Ele decidiu ingressar no serviço de capelania militar quando uma salva de tiros durante um enterro assustou as filhas de um soldado falecido.
"As meninas ficaram assustadas e se agarraram à mãe enquanto o pai delas jazia ali, morto. Quando vi essa cena, quando vi o quanto estavam apavoradas, pensei: acabou", relata. "Não quero enterrar mais ninguém. Prefiro estar aqui com os rapazes, rir com eles, conversar com eles e vê-los vivos", insiste.
Cerca de 1.700 pessoas, de 13 organizações religiosas diferentes, fazem parte do serviço de capelania do exército ucraniano.
Bagirov aprendeu rapidamente que suas funções vão muito além das de um guia espiritual. As pessoas recorrem a ele para que as ajude com questões práticas, como consultar um médico, problemas legais ou financeiros.
"No começo eu não sabia de nada!", confessa.
Certa vez, um soldado estava angustiado porque sua mãe, que morava sozinha, não conseguia consertar alguns canos de aquecimento. Bagirov chamou um capelão local, que, por sua vez, entrou em contato com o prefeito da localidade, o qual acompanhou alguns encanadores para resolver o problema.
"Os soldados sabem que não nos preocupamos só com eles, mas também com seus familiares que estão em casa", explica.
- Odiar a Deus -
Na linha de frente, a dor da guerra -com dezenas de milhares de soldados e civis mortos- põe à prova a fé dos combatentes ucranianos.
"Eles carregam ódio dentro de si contra Deus porque o seu companheiro de armas morreu", comenta Bagirov à AFP.
Diante disto, ele lhes propõe que sejam honestos. Honestos com Deus.
"Devem dizer a verdade a Deus. Sempre penso que discutir com Deus pode até tornar uma oração melhor", enfatiza.
No começo da guerra, ele costumava dirigir até a linha de frente para consolar os soldados. Mas, como os drones invadiram o céu do campo de batalha, agora ele se mantém à distância e realiza serviços religiosos on-line ou fala por telefone com os soldados.
Antes de novas tropas saírem em uma rotação, Bagirov costuma tentar vê-las e incentivá-las a rezar.
"Quando voltam das posições de combate, são eles que me falam de Deus. É o contrário", ressalta.
T.Germann--VB