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Órgão regulador dos EUA ordena revisão da licença da emissora ABC após críticas de Trump a apresentador
A comissão reguladora de telecomunicações nos Estados Unidos ordenou nesta terça-feira (28) uma revisão antecipada da licença da emissora ABC, depois que o presidente Donald Trump e a primeira-dama pediram a demissão do apresentador Jimmy Kimmel.
A ordem da Comissão Federal de Comunicações (FCC), que foi antecipada em vários anos em relação ao cronograma previsto, afeta a Disney, proprietária da ABC, e suas subsidiárias.
Trump disse que Kimmel deveria ser demitido imediatamente por afirmar, em um de seus monólogos de humor na semana passada, que a primeira-dama Melania Trump irradiava "a aura de uma futura viúva".
O comediante sustenta que era uma piada sobre a "diferença de idade" do casal, mas o presidente a classificou como um "desprezível chamado à violência".
Trump completará 80 anos em junho e é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos, enquanto sua esposa, uma ex-modelo nascida na Eslovênia, tem 56 anos.
Assim como outros republicanos, Melania Trump atacou Kimmel na segunda-feira e pediu à emissora ABC que "tomasse uma posição" contra o apresentador.
No entanto, Kimmel minimizou as críticas. "Foi uma piada muito leve" sobre "o fato de que ele tem quase 80 e ela é mais jovem do que eu", disse em seu programa noturno de segunda-feira.
A Casa Branca continuou o ataque nesta terça-feira. O diretor de comunicação, Steven Cheung, chamou Kimmel no X de "uma pessoa de merda" por "insistir nessa piada em vez de fazer o correto e pedir desculpas".
O apresentador também convidou Trump a dialogar sobre a retórica "de ódio", em uma aparente referência aos comentários incendiários do presidente sobre grupos como imigrantes, seus opositores políticos e a mídia.
"Concordo que a retórica de ódio e violenta é algo que devemos rejeitar", disse Kimmel.
"Acho que um bom lugar para começar a reduzir esse tom seria manter uma conversa a respeito com seu marido", acrescentou, dirigindo-se à primeira-dama.
Grande estrela dos programas noturnos de TV, os chamados "late night shows", Kimmel já havia sido acusado pela direita de explorar politicamente o assassinato do influenciador pró-Trump Charlie Kirk no ano passado.
De propriedade da Disney, a ABC tirou o apresentador do ar, mas o recolocou uma semana depois, após acusações de censura.
J.Sauter--VB