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Militares mataram quase 7.900 civis entre 1990 e 2016 na Colômbia
Um tribunal de paz na Colômbia elevou, nesta terça-feira (28), para 7.837 o número de civis mortos por militares entre 1990 e 2016, para apresentá-los como supostos guerrilheiros mortos em combate no âmbito do conflito interno.
A Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada com o acordo que desarmou a guerrilha das Farc em 2016, investiga estes casos como parte de seu trabalho para esclarecer as violações mais graves cometidas durante o confronto armado.
Em 2021, o tribunal tinha registrado 6.402 execuções de civis, conhecidas na Colômbia como "falsos positivos", entre 2002 e 2008.
Na terça-feira, o presidente da JEP, Alejandro Ramelli, informou que o tribunal recebeu informação de novas fontes e ampliou o período de análise entre 1990 e 2016, atualizando o balanço para 7.837 vítimas.
"O mais provável é que inclusive este novo número aumente no futuro", disse Ramelli durante uma audiência.
O presidente colombiano, o esquerdista Gustavo Petro, afirmou no X que "este é o pior crime contra a humanidade cometido nas Américas neste século".
Vários militares, inclusive do alto escalão, confessaram estes crimes no tribunal, que oferece penas alternativas à prisão em troca de que contem a verdade.
Em audiência perante familiares das vítimas, relataram como enganaram jovens para assassiná-los e fazê-los passar por membros de grupos insurgentes, em alguns casos por pressão de seus superiores.
Os militares recebiam em troca benefícios econômicos ou dias de folga.
A maioria dos casos ocorreu durante o governo do direitista Álvaro Uribe (2002-2010), que impulsionou uma política de linha-dura contra as guerrilhas. O ex-presidente nega que tenha sido uma orientação de seu governo.
Em setembro, a JEP condenou pela primeira vez a cúpula das Farc a oito anos de trabalhos restaurativos e restrições à mobilidade por mais de 21 mil sequestros.
Em seguida, sentenciou com uma medida similar um primeiro grupo de 12 militares reformados pelo desaparecimento e pelo assassinato de civis.
G.Haefliger--VB