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Incerteza sobre negociações entre EUA e Irã a dois dias do fim da trégua
A menos de dois dias do fim do cessar-fogo, a incerteza impera nesta segunda-feira (20) sobre a eventual retomada das negociações entre Irã e Estados Unidos no Paquistão, das quais Teerã ainda não decidiu se participará ou não.
A situação ficou ainda mais complicada com o anúncio, no domingo, da apreensão pela Marinha americana de um cargueiro iraniano, o Touska, no Golfo de Omã.
O presidente Donald Trump anunciou o envio a Islamabad de uma delegação americana para tentar reativar as negociações de paz, mas Teerã expressou reservas.
O objetivo é alcançar um acordo para o fim duradouro da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos, e que se propagou por todo o Oriente Médio, com um balanço de milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e um forte impacto na economia mundial.
"Neste momento, enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, que questionou a "seriedade" de Washington no processo diplomático.
No domingo, a agência oficial Irna destacou a ausência de uma "perspectiva clara de negociações frutíferas".
A imprensa iraniana destacou que a suspensão do bloqueio naval americano é uma condição prévia para as conversações.
- Cargueiro apreendido -
O cargueiro Touska, de bandeira iraniana, "tentou escapar do nosso bloqueio marítimo e as coisas não correram bem para eles", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Teerã, por meio do porta-voz do Estado-Maior, prometeu "responder em breve" ao que chamou de "ato de pirataria armada" que viola o cessar-fogo em vigor.
Segundo a agência Tasnim, o Irã lançou drones na direção dos navios militares americanos que "atacaram" o Touska.
Mesmo sem a eventual confirmação das negociações, a segurança foi reforçada em Islamabad, capital paquistanesa, com o fechamento de rodovias e a presença de barricadas.
A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que também coordenou a comitiva de Washington no primeiro ciclo de conversações, em 11 de abril.
A reunião, com um nível de representantes de alto escalão sem precedentes desde a fundação da República Islâmica em 1979, terminou sem avanços.
Ao anunciar a nova rodada no Paquistão, Trump afirmou na Truth Social que oferecia a Teerã um "acordo razoável" e que, em caso de rejeição, "os Estados Unidos destruiriam todas as usinas elétricas e todas as pontes do Irã".
Com o aumento da tensão, os preços do petróleo voltaram a disparar nesta segunda-feira, com altas de mais de 6% no barril do Brent e no WTI.
- Ormuz permanece bloqueado -
De modo paralelo à via diplomática, Washington e Teerã mantêm o confronto a respeito do Estreito de Ormuz, com uma troca de acusações sobre violações do cessar-fogo.
Antes do anúncio da apreensão do cargueiro, Trump havia acusado o Irã de atacar diversos navios comerciais que tentavam atravessar o estreito.
Um navio da CMA CGM foi alvo, no sábado, de "tiros de advertência", informou no domingo à AFP o grupo francês de transporte marítimo.
Diante do bloqueio americano a seus portos, Teerã anunciou no sábado a retomada do "controle rigoroso" do estreito, recuando em sua decisão de sexta-feira de reabrir a passagem.
No domingo, o tráfego pelo estreito foi reduzido a zero, segundo o site Marine Traffic.
Teerã acreditava que, ao abrir o estreito, "os Estados Unidos responderiam com a suspensão do bloqueio", disse Vali Nasr, professor de Relações Internacionais na universidade americana Johns Hopkins.
Mas a manutenção do bloqueio "apenas alimentou a suspeita do Irã" de que as conversações de Islamabad "não passam de uma artimanha diplomática antes de outro ataque militar", acrescentou na rede social X.
As partes mantêm posições antagônicas, em particular na questão nuclear, que constitui o centro do conflito. Segundo Trump, o Irã aceitou entregar seu urânio altamente enriquecido, o que Teerã nega.
O Irã afirma que não deseja fabricar uma bomba atômica, mas defende seu direito à energia nuclear civil.
No Líbano, o outro front da guerra, a situação continua muito instável apesar de um cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor na sexta-feira entre Israel e o grupo Hezbollah. As partes trocam acusações sobre violações da trégua.
Nesta segunda-feira, o Exército israelense advertiu os civis libaneses que não retornem para dezenas de vilarejos do sul do Líbano, ao destacar que as atividades do Hezbollah na região constituem uma violação do cessar-fogo.
Desde o início da trégua na sexta-feira, milhares de deslocados começaram a retornar para diversas localidades do sul do Líbano. O Exército do país reabriu estradas e pontes que foram danificadas pelos bombardeios.
"Não sabemos o que vai acontecer, não sei se devo consertar minha loja ou se os bombardeios vão recomeçar", disse Ali Assi em sua loja de roupas em Nabatieh (sul).
burx-hme/anb/pb/dbh/fp-jc
L.Meier--VB