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Onda de ataques russos deixou 19 mortos e mais de 100 feridos na Ucrânia
Bombardeios massivos da Rússia contra a Ucrânia durante a noite, visando principalmente Kiev e a cidade portuária de Odessa, deixaram pelo menos 19 mortos, informaram as autoridades ucranianas nesta quinta-feira (16), enquanto as negociações para tentar acabar com a guerra de quatro anos permanecem estagnadas.
"É horrível. Eles nos bombardearam a noite toda, não pararam nem por meia hora", disse à AFP Tetiana, moradora da cidade portuária de Odessa, no sul do país. Ela disse que uma janela foi estilhaçada.
Mísseis e drones também deixaram 111 feridos em todo o país, disseram autoridades de diversas regiões.
O Ministério da Defesa russo indicou que os bombardeios atingiram instalações da indústria militar e infraestruturas energéticas utilizadas pelo exército ucraniano. Como de costume, enfatizou que todos os alvos foram atingidos.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que está nos Países Baixos nesta quinta-feira, pediu um minuto de silêncio pelas vítimas, "pessoas comuns, crianças, civis mortos pela loucura russa", enfatizou.
As negociações entre Moscou e Kiev para tentar acabar com o conflito estão paralisadas desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada no final de fevereiro por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
- "Ataque atroz" -
Desde o início do conflito, há quatro anos, o exército russo ataca o território ucraniano quase todas as noites com mísseis e centenas de drones, e intensificou recentemente os bombardeios aéreos diurnos.
Em 24 horas, a Rússia lançou 659 drones e 44 mísseis, segundo a Força Aérea ucraniana, que afirmou ter interceptado 636 dos primeiros e 31 dos últimos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, denunciou "mais um ataque atroz contra civis" e afirmou que "a guerra de agressão travada pela Rússia contra a Ucrânia fracassou, e é por isso que ela opta por aterrorizar civis deliberadamente".
A Rússia não merece "nenhuma suspensão das sanções", afirmou o presidente Zelensky nas redes sociais. "Moscou aposta na guerra", insistiu.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou na quarta-feira que seu país não estenderá a suspensão das sanções ao petróleo russo armazenado no mar, uma medida adotada para mitigar o impacto da alta dos preços do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio.
A Rússia minimizou o anúncio, classificando-o como "previsível". "Há anos vivemos sob o peso das sanções (...). Já aprendemos a minimizar o impacto", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
- "Soterrados" -
Dezenas de milhares de civis morreram na Ucrânia desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
O último ataque noturno deixou pelo menos nove mortos e 23 feridos em Odessa.
"Acordamos com um bombardeio e de repente nos vimos soterrados sob os móveis. O teto desabou", disse Roman, um morador da cidade, à AFP.
"Minha esposa e eu tentamos sair. Ela correu até nosso filho e gritou: 'Está sem a metade da cabeça!'", relatou ele.
Mais ao norte, em Kiev, quatro pessoas morreram, incluindo um menino de 12 anos, disse o prefeito, Vitali Klitschko.
"Minha mãe e meu irmão de dois anos (...) sobreviveram milagrosamente; o teto desabou sobre eles", explicou Yeva, de 19 anos. Sua casa foi completamente destruída.
Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões sobre a cidade durante a noite e viram grandes colunas de fumaça preta subindo do centro da cidade ao amanhecer.
Cinco pessoas também morreram na região central de Dnipropetrovsk e outra em Merefa, na região leste de Kharkiv, segundo as autoridades.
Além disso, um ataque russo a um posto de gasolina perto de Sumy, no norte do país, causou a morte de uma pessoa nesta quinta-feira, durante o dia.
Do lado russo, uma menina de 14 anos e uma jovem morreram em um ataque noturno com drones ucranianos à cidade portuária de Tuapse, às margens do Mar Negro, anunciou o governador regional, Veniamin Kondratiev.
O Ministério da Defesa russo afirmou que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 207 drones ucranianos durante a noite.
M.Vogt--VB