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Policiais e promotores intervêm em órgão eleitoral após 63 mil pessoas não votarem no Peru
Policiais e promotores intervieram neste domingo (12) nas instalações da autoridade eleitoral do Peru, mergulhado em uma profunda crise política, após mais de 63 mil eleitores ficarem sem votar nas eleições presidenciais por falta de entrega de cédulas, urnas e outros materiais necessários.
Jornalistas da AFP constataram a presença de agentes policiais dentro e nos arredores da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pela organização da eleição.
Os policiais e promotores "realizam diligências na ONPE e na empresa" contratada para distribuir o material eleitoral, informou a Direção contra a Corrupção da Polícia (Dircocorp) na rede social X.
Em 15 locais de votação, "não foi possível instalar 211 mesas de votação, o que impactou 63.300" eleitores, e eles não pagarão multa por não votar, disse o chefe da ONPE, Piero Covetto.
"Isto não é sobre uma multa. Trata-se do direito de ir votar no candidato ou candidatos" a deputados e senadores, afirmou a candidata de direita Keiko Fujimori, favorita nas pesquisas.
Ela propôs uma ampliação do horário de votação, que já havia sido estendido uma vez até as 18h00 locais (20h00 de Brasília) devido aos atrasos.
O Peru, com voto obrigatório, teve oito presidentes desde 2016, metade deles destituídos por um parlamento que concentra a rejeição da população.
"Há idosos, pessoas que vieram com seus bebês nos braços, e não abriram as mesas", disse indignada à AFP a eleitora Elva Ramos, de 49 anos, no turístico distrito de Miraflores.
- Sem opções -
Boa parte dos peruanos não confia em seus políticos, a quem responsabilizam pela pior onda de criminalidade desde o conflito do Estado peruano com a guerrilha maoísta Sendero Luminoso (1980-2000).
"Está tudo péssimo. A criminalidade nos dominou e praticamente já acabou conosco", disse Raúl Cabana, operário de 45 anos, que votou perto do centro de Lima.
Os eleitores "chegam muito incrédulos, muito inseguros, sem fé na política, sem reconhecer lideranças sólidas que orientem o voto", diz o sociólogo David Sulmont.
As preferências estão distribuídas entre sete candidaturas com chances de avançar para um segundo turno em junho. Nenhuma supera 15% das intenções de voto.
Em entrevista à AFP na véspera da eleição, Fujimori prometeu expulsar imigrantes irregulares, atrair investimentos dos Estados Unidos e se juntar ao bloco de governos de direita da região, que cresce com o apoio de Donald Trump.
Ela é seguida de perto pelo empresário centrista Ricardo Belmont, pelo outsider populista Carlos Álvarez, pelo milionário Rafael López Aliaga e pelos esquerdistas Roberto Sánchez, Alfonso López Chau e Jorge Nieto.
Em 2021, o esquerdista Pedro Castillo (2021-2022) chegou de surpresa à presidência, apesar de aparecer em sétimo lugar nas pesquisas uma semana antes do primeiro turno.
No domingo passado, ainda havia 16% de indecisos e outros 11% que pretendiam não votar em ninguém, segundo a Ipsos.
- "Não há esperança" -
Os candidatos começaram o dia com cafés da manhã transmitidos pela televisão, cercados por suas equipes e apoiadores, uma tradição eleitoral no Peru.
"Eu, como gestor, não estou acostumado à burocracia", disse neste domingo López Aliaga, que se comprometeu a aumentar o orçamento para os mais pobres. "Eu primeiro faço e depois peço permissão", afirmou.
Os eleitores enfrentam uma cédula de 44 centímetros de comprimento, na qual também marcam, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, já que o país restabelecerá em julho um parlamento bicameral.
Para Sulmont, "há uma grande desconexão entre a oferta política e as expectativas das pessoas".
"Nenhuma das candidaturas desperta grande entusiasmo", afirma.
Mais de 90% dos peruanos têm "pouca" ou "nenhuma confiança" em seu governo e em seu parlamento, a taxa mais alta da América Latina, segundo a pesquisa regional Latinobarómetro.
"Não há esperança, com tantas coisas que aconteceram. Não tenho um candidato", diz Luis Peña, um engraxate de 55 anos.
Mas, apesar de seus problemas, o Peru se destaca como uma das economias mais estáveis da região, com a inflação mais baixa e exportações minerais em expansão.
L.Stucki--VB