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Keiko Fujimori promete expulsão de imigrantes e aproximação com Trump se vencer eleições no Peru
A candidata favorita nas eleições presidenciais do Peru, Keiko Fujimori, prometeu expulsar os imigrantes em situação irregular, atrair investimentos americanos e ampliar a onda de governos de direita na América Latina, durante entrevista exclusiva à AFP às vésperas das eleições de domingo.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko concorre pela quarta vez ao cargo, e se compromete a "recuperar a ordem" nos primeiros 100 dias de um eventual governo, em um país assolado pela criminalidade.
Também cerrou fileiras com os Estados Unidos e os dirigentes conservadores de Argentina, Chile, Equador e Bolívia.
Aos 50 anos, Keiko tem leve vantagem nas intenções de voto com cerca de 15%, segundo pesquisas divulgadas no domingo, as últimas autorizadas antes da eleição. Este resultado a levaria ao segundo turno em junho.
Serão 35 candidatos no total. Seus principais adversários são um comediante, um empresário rico, um político de centro de 80 anos e o herdeiro político do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo.
"Meu papel, caso eu seja eleita presidente, será motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente" na economia peruana, assinalou em um comitê de campanha em Lima.
Trump busca novos aliados para reduzir a influência da China na região, o principal parceiro comercial de vários países, incluindo o Peru.
A nação andina é a segunda maior receptora de investimentos chineses na América Latina, atrás apenas do Brasil, com pelo menos 29 bilhões de dólares entre 2005 e 2025, segundo o monitor China Global Investment Tracker.
"A América Latina está girando para uma corrente na qual se prioriza a liberdade, os investimentos e recuperar o controle e a segurança", disse Keiko sobre a ascensão da direita com nomes como Javier Milei, José Antonio Kast, Daniel Noboa e Rodrigo Paz.
"Faltam Colômbia e Peru", acrescentou. Keiko Fujimori concorreu à presidência nas eleições de 2011, 2016 e 2021. Perdeu todas no segundo turno.
- 'Pedem um Fujimori, aqui estou!' -
Administradora graduada nos Estados Unidos, focou sua campanha em enfrentar com mão dura a escalada de criminalidade, que associa com a imigração irregular.
"É meu compromisso recuperar a ordem no Peru", afirmou.
A comunidade estrangeira mais numerosa no país é a venezuelana, com 1,6 milhão de imigrantes, dos quais 14% não possuem residência autorizada.
"Expulsaremos os cidadãos sem documentos e esperamos que [...] seja possível fazer um corredor humanitário para que os que [...] foram forçados a sair de seu país possam retornar", disse Keiko.
Também indicou que pedirá ao Congresso aprovação para enviar militares às prisões e instalar tribunais com "juízes sem rosto" para julgar criminosos, uma medida do governo de seu pai (1990-2000) bastante questionada ao incorrer em falta de garantias por magistrados anônimos.
A figura de Alberto Fujimori, morto em 2024, divide a sociedade peruana.
Lembrado por vencer a guerrilha Sendero Luminoso, que iniciou uma luta armada para impor um regime maoísta, o autocrata foi condenado a 25 anos de prisão por violações de direitos humanos e corrupção.
"O tempo está colocando as coisas em seu lugar e, hoje, quando o Peru sangra pelos delinquentes e os extorsionistas, o que pedem é um Fujimori, aqui estou!", disse Keiko à AFP.
No fim de 2023, seu pai foi libertado pelo Tribunal Constitucional, apesar de uma decisão contrária da Corte Interamericana de Direitos Humanos, da qual sua filha agora busca se retirar.
"Meu pai trouxe ordem, crescimento econômico e [...] trabalhou com os setores mais populares. Tenho o sarrafo lá no alto e espero superá-lo", disse.
O Peru se arrasta por uma profunda crise política com oito presidentes diferentes em uma década, quatro deles destituídos pelo Parlamento, onde o fujimorismo foi a força mais importante, e outros dois pressionados a renunciar.
A candidata promete ser conciliadora desta vez.
"Também cometi erros, ao ter momentos de muita confrontação. E com isso aprendemos [...] a priorizar o diálogo e a fomentar consensos", comentou.
Keiko é seguida de perto nas pesquisas pelo comediante Carlos Álvarez, o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, o empresário de mídia Ricardo Belmont e o esquerdista Roberto Sánchez.
Mais de 27 milhões de peruanos votarão neste domingo para eleger um novo presidente e, pela primeira vez desde 1990, deputados e senadores, deixando para trás um Congresso unicameral.
B.Baumann--VB