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Trump adverte que 'uma civilização inteira morrerá' por falta de acordo com Irã
Horas antes de seu ultimato expirar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que "uma civilização inteira morrerá" caso não se chegue, nesta terça-feira (7), a um acordo com o Irã, que relatou ataques à sua infraestrutura, incluindo duas pontes e uma rodovia.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais retornar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.
O mandatário não forneceu detalhes, mas já havia declarado anteriormente que as forças armadas de seu país poderiam bombardear pontes, usinas de energia e outras infraestruturas civis do Irã para fazer o país regredir à "Idade da Pedra".
Trump estabeleceu um prazo até a meia-noite GMT (20h em Washington, 21h em Brasília) para que o Irã encerre o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via navegável usada para o transporte de petróleo e outras matérias-primas.
Na segunda-feira, ele afirmou que a proposta de cessar-fogo temporário que está circulando é insuficiente.
O Irã rejeita a pressão de Washington. Segundo a mídia estatal, as autoridades não buscam um mero cessar-fogo, mas sim o fim da guerra iniciada em 28 de fevereiro com uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra seu território.
Longe de se render, a Guarda Revolucionária — o exército ideológico do Irã — ameaçou realizar ações contra infraestruturas que "privariam os Estados Unidos e seus aliados do petróleo e gás da região por anos".
- "Além da região" -
"Se o exército terrorista americano cruzar as linhas vermelhas, nossa resposta se estenderá para além da região", acrescentou.
Na rede Truth Social, Trump deixou a porta aberta para um acordo de última hora. "Agora que temos uma mudança de regime completa e total, na qual mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer. QUEM SABE? Descobriremos esta noite", escreveu, usando letras maiúsculas, como costuma fazer.
Durante uma visita a Budapeste, seu vice-presidente, JD Vance, previu negociações intensas nas próximas horas, mas alertou que Washington possui "ferramentas" que ainda não utilizou.
Neste 39º dia de guerra, foram relatados bombardeios na província de Alboz (norte), segundo a imprensa local. Dezoito pessoas morreram em uma área residencial, incluindo duas crianças.
Duas pontes também foram atingidas ao sul de Teerã — uma em Kashan, onde duas pessoas morreram, e outra perto de Qom.
Autoridades interditaram uma importante rodovia que liga Tabriz (norte) à capital após um ataque, segundo a imprensa iraniana.
Além disso, os trens com origem e destino a Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, foram cancelados depois que Israel aconselhou os moradores a não utilizarem esse meio de transporte até as 17h30 GMT.
Ataques também foram realizados contra a ilha de Kharg, no Golfo, um centro vital para a indústria petrolífera do Irã, segundo a agência Mehr e um jornalista do site americano Axios.
Em um comunicado, o exército israelense afirmou ter realizado "uma onda de ataques em larga escala contra dezenas de instalações de infraestruturas" em várias regiões do Irã. Não especificaram quais instalações foram atingidas nem suas localizações.
- "Estou apavorada" -
Os iranianos oscilam entre o medo e a indiferença. "Estou apavorada e todos neste país deveriam estar também", disse à AFP Metanat, uma estudante de 27 anos que afirma ter perdido um colega de classe em um ataque.
"Algumas pessoas zombam de Trump e de suas ameaças", mas "isto é uma guerra, e não há nada de engraçado nisso", afirma.
Morteza Hamidi, um aposentado de 62 anos, minimiza o novo ultimato. "Ele mudou as datas tantas vezes que nos tornamos insensíveis às suas ameaças", declara.
Segundo o Axios, vários países mediadores propuseram a ideia de um cessar-fogo de 45 dias.
De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, Teerã exige "o fim dos conflitos na região, um protocolo para a passagem segura pelo Estreito de Ormuz", e também "a reconstrução e a suspensão das sanções".
- Dois milhões por embarcação -
O Irã estaria, segundo relatos, disposto a levantar seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, impondo uma taxa de trânsito de US$ 2 milhões por navio (R$ 10,3 milhões), que compartilharia com o Sultanato de Omã, no lado oposto da via, segundo o 'The New York Times'.
O país utilizaria esses recursos para reconstruir a infraestrutura destruída por ataques israelenses e americanos, em vez de exigir compensações diretas.
Sina Toossi, do Centro de Política Internacional em Washington, acredita que o Irã "não cederá em seus interesses vitais, particularmente em seu controle sobre o Estreito de Ormuz, aconteça o que acontecer".
Por enquanto, a República Islâmica continua atacando diariamente as nações do Golfo, às quais acusa de ajudar aos Estados Unidos.
Nas últimas horas, o enorme complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita, foi atingido, relatou uma testemunha à AFP.
"Se essa escalada não for contida, acabaremos em uma situação que não poderá mais ser controlada. E estamos muito próximos desse ponto", alertou Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar.
burx-bar/arm/pc-erl/an/jc/mvv
E.Gasser--VB