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Congressistas democratas dos EUA denunciam 'bombardeio econômico' contra Cuba após visitar Havana
Dois congressistas democratas dos Estados Unidos se reuniram em Havana com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, na primeira visita de membros do Congresso desde que Washington impôs um bloqueio petrolífero contra a ilha, uma medida que qualificaram como um "bombardeio econômico".
Os representantes americanos Pramila Jayapal e Jonathan Jackson concluíram no domingo (5) uma viagem de cinco dias a Cuba, em um momento em que o presidente americano, Donald Trump, aumentou a pressão sobre o governo comunista.
O presidente cubano publicou nesta segunda-feira (6) fotos de seu encontro com os legisladores na rede social X.
Díaz-Canel afirmou que, durante a reunião, denunciou "o dano criminoso" causado pelo bloqueio americano, assim como as "ameaças de ações ainda mais agressivas" por parte de Washington.
O mandatário, que confirmou em março que funcionários de Cuba e dos EUA mantêm conversas, reiterou a disposição de seu governo em manter um diálogo "sério e responsável" e "encontrar soluções para as diferenças existentes".
Em um comunicado, os congressistas americanos destacaram que o bloqueio petrolífero de fato imposto em janeiro por Trump é "ilegal" e está "provocando um sofrimento incalculável ao povo cubano".
"Isso constitui uma punição coletiva cruel —na prática, um bombardeio econômico à infraestrutura do país— que provocou danos irreparáveis. Deve cessar imediatamente", acrescentaram.
Trump impede as exportações de petróleo para Cuba após as forças americanas derrubarem, no início de janeiro, o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, até então o principal aliado de Havana, e ameaçarem com tarifas os países que enviarem petróleo para Cuba.
A medida aprofundou a crise energética em Cuba, que sofreu apagões frequentes. Na semana passada, o presidente americano abriu uma exceção ao permitir que um petroleiro russo entregasse 730 mil barris de petróleo a Cuba, o primeiro carregamento a chegar à ilha em três meses.
Em uma entrevista ao "Belly of the Beast", um meio digital americano focado em Cuba, Jayapal relatou que eles visitaram um hospital maternidade onde viram bebês prematuros em incubadoras.
"É como um ato de guerra, porque nos recusamos a permitir que chegue combustível para alimentar os geradores, para levar medicamentos às pessoas, para que os médicos e profissionais de saúde possam ir ao hospital", comentou.
"É pura crueldade e punição coletiva", acrescentou Jayapal.
Os congressistas destacaram que o governo de Cuba permitiu que investigadores do FBI visitassem Havana na semana passada para realizar uma investigação independente sobre um tiroteio fatal que envolveu uma embarcação com matrícula dos Estados Unidos.
O governo de Díaz-Canel indultou mais de 2 mil presos na semana passada, mas nenhum preso político, de acordo com ONGs de direitos humanos.
P.Vogel--VB