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Milei recebe Kast após captura frustrada de ex-guerrilheiro chileno na Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, e seu homólogo do Chile, José Antonio Kast, se reuniram em Buenos Aires, nesta segunda-feira (6), na primeira visita oficial do mandatário chileno desde que assumiu o poder em março e após a captura frustrada de um ex-guerrilheiro procurado por Santiago.
Os dois presidentes se reuniram por mais de uma hora na Casa Rosada, sede da Presidência argentina, sem que detalhes dos assuntos tratados tenham sido informados.
Participaram da reunião o chanceler argentino, Pablo Quino, e seu par chileno, Francisco Pérez Mackenna, além de outros membros dos dois gabinetes.
A visita de Kast cumpre com a tradição de o presidente chileno fazer sua primeira viagem oficial à Argentina, um dos principais parceiros comerciais de Santiago.
Os dois líderes da direita podem potencializar uma aliança que faça contrapeso à influência na região do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda.
"Hoje, mais do que nunca, é importante desenvolver projetos de forma conjunta. Temos grandes ideias em temas de mineração, energia, de passagens fronteiriças, do controle do crime organizado", disse no domingo o chanceler chileno Pérez Mackenna, em declarações à imprensa.
A visita de Kast ocorre dias depois da detenção frustrada do chileno Galvarino Apablaza.
O ex-guerrilheiro é acusado de participar do assassinato, em 1991, do senador Jaime Guzmán, referência da direita no Chile.
Apablaza fugiu para a Argentina em 1993 e era um refugiado político desde 2010.
Um tribunal revogou este status em fevereiro deste ano. Mas quando sua captura foi ordenada, na quarta-feira passada, a polícia não o encontrou.
"Cedo ou tarde, o senador Apablaza terá que prestar contas perante a justiça chilena e tomaremos todas as medidas que forem pertinentes perante o governo argentino" para isso, assegurou Pérez Mackenna.
Na sexta-feira, o Ministério da Segurança argentino ofereceu uma recompensa equivalente a 14.000 dólares (aproximadamente R$ 72 mil) "para quem der informação que permita localizar e deter" Apablaza.
O advogado de Apablaza, Rodolfo Yanzón, disse à AFP que se sua prisão for concretizada, seria "ilegal", pois não foram esgotadas todas as instâncias para evitar que perca o status de refugiado.
Além disso, antecipou que vai apelar da medida junto a organismos internacionais.
Em dezembro, o então presidente eleito do Chile se reuniu com seu par argentino e ambos posaram para fotos segurando uma motosserra, símbolo dos cortes fiscais promovidos pelo chefe de Estado argentino.
Kast também faz um corte dos gastos desde que assumiu o cargo, em março.
Os dois países compartilham uma fronteira de cerca de 5.300 km de extensão.
Além disso, a Argentina é o segundo parceiro comercial do Chile na América Latina, com transações de aproximadamente 7,98 bilhões de dólares em 2025 (cerca de R$ 44 bilhões, em cotação da época).
T.Suter--VB