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Zelensky denuncia 'escalada' após morte de 10 pessoas em ataques russos na Ucrânia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, denunciou, nesta sexta-feira (3), uma "escalada" após a morte de dez pessoas em um dia marcado por uma onda de ataques russos em todo o país.
Segundo o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, cerca de 500 drones e mísseis de cruzeiro cruzaram o território ucraniano durante o dia, enquanto a maioria dos ataques costuma ocorrer à noite.
O ataque contra vários pontos do país começou na manhã desta sexta, enquanto Zelensky falava por telefone com o papa Leão XIV.
"Os russos não fizeram mais que intensificar seus ataques, transformando o que deveria ter sido o silêncio no céu em uma escalada", disse o presidente.
"Esta é a segunda resposta da Rússia à nossa proposta de trégua de Páscoa", denunciou.
Uma pessoa morreu em Bucha, perto de Kiev, uma em Kherson (sul), três na região de Sumy (norte), uma na região de Jitomir (centro) e duas em Kharkiv, a grande cidade próxima da linha de frente no leste, informaram as autoridades regionais.
Além disso, em Kramatorsk, outra cidade no leste perto do front, "os russos lançaram cinco bombas aéreas", deixando ao menos dois mortos e três feridos, informou o chefe da administração regional militar, Vadim Filashkin.
- Cortes de eletricidade -
Em Kiev, habituada aos ataques aéreos em quatro anos de guerra, muitos moradores não se alteraram, embora canais do Telegram próximos do exército tenham informado sobre dezenas de drones voando para a capital.
Segundo a primeira-ministra, Yulia Sviridenko, houve cortes de eletricidade nas cidades de Kiev, Cherkasy (centro) e Jitomir (centro-oeste).
Moscou iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, o conflito armado mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que deixou centenas de milhares de mortos dos dois lados.
O presidente ucraniano convidou a Kiev os emissários americanos para reativar as conversações, sugerindo que atuem como mediadores entre os dois beligerantes.
Mas agora, as atenções de Washington estão concentradas na guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques israelenses-americanos contra o Irã, em 28 de fevereiro.
"A delegação fará tudo o possível, nas condições atuais, durante a guerra com o Irã, para vir a Kiev", disse Zelensky a um grupo de jornalistas, inclusive da AFP.
"É uma opção alternativa para uma reunião trilateral ao nível dos grupos técnicos. O grupo americano pode vir para nossa casa e, depois, após estar conosco, se dirigir a Moscou", acrescentou.
Os diálogos dos últimos meses entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia não tiveram nenhum resultado tangível para pôr fim à guerra.
H.Weber--VB