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Mais de 40 países pedem a Irã 'reabertura imediata' de Ormuz
Cerca de 40 países pediram a "reabertura imediata e incondicional" do Estreito de Ormuz, ao final de uma reunião virtual organizada pelo Reino Unido, informou, nesta quinta-feira (2), a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
"O Irã está tentando tomar a economia mundial como refém no Estreito de Ormuz. Não devem prevalecer. Neste sentido, os parceiros pediram hoje a reabertura imediata e incondicional do estreito", declarou Cooper em um comunicado após a reunião.
A ministra afirmou que os países concordaram em explorar "medidas econômicas e políticas, como sanções" contra o Irã.
A reunião acontece sob a pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que insta os países dependentes do transporte marítimo no estreito a se mobilizarem para desbloqueá-lo.
"Os países do mundo que recebem petróleo através de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse Trump na quarta-feira, destacando que só consideraria um cessar-fogo quando o estreito estiver "livre e desimpedido".
- "Imprudência" do Irã -
Ao início da reunião, Cooper afirmou que a "imprudência" do Irã ao bloquear a via marítima afeta a "segurança econômica global".
A Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, declarou que o estreito permanecerá fechado aos "inimigos" do país.
Desde o início do conflito, desencadeado em 28 de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, a quase paralisação da via - por onde normalmente transita um quinto das exportações de petróleo do mundo - por parte de Teerã provocou um forte aumento nos preços dos hidrocarbonetos, com impacto econômico mundial.
"Vimos o Irã sequestrar uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém", declarou Cooper em suas palavras de abertura, divulgadas pela imprensa antes do restante da reunião a portas fechadas.
Os representantes de Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos manifestaram a necessidade de criar um "corredor humanitário" o mais rápido possível. "Em primeiro lugar para os fertilizantes e para tudo o que for necessário para evitar uma nova crise alimentar, especialmente nos países africanos", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores italiano.
Por sua vez, a China assegurou que os ataques "ilegais" dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã são a "principal causa" do bloqueio de Ormuz.
- "Dispostos a contribuir" -
Em 19 de março, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão divulgaram um comunicado conjunto em que declaravam estar "dispostos a contribuir" para os esforços destinados a garantir a segurança no estreito.
Um total de 37 países aderiram ao texto. Na lista de signatários não figuram os Estados Unidos, a China nem a maioria dos países do Oriente Médio.
A Espanha também não está entre os signatários, mas o Panamá e o Chile, sim, segundo uma lista fornecida pelo governo britânico.
Na próxima semana, Londres presidirá uma reunião com os "planejadores militares" dos mesmos países "para examinar opções viáveis para tornar Ormuz acessível e seguro para a navegação", indicou o Ministério da Defesa britânico.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que assegurar o estreito de Ormuz só poderia "ser realizado uma vez que tenha terminado a fase intensa dos bombardeios".
Trump critica frequentemente França, Reino Unido e a Otan, acusando-os de não apoiarem suficientemente o Exército americano neste conflito.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) fez um apelo ao Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira para que autorize o uso da força para liberar a via.
Um projeto de resolução apresentado divide o Conselho de Segurança. Segundo fontes diplomáticas, Rússia, China e França, que dispõem de direito de veto, expressaram fortes objeções, apesar de várias modificações no texto.
C.Koch--VB