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Petroleiro russo atraca em Cuba durante crise energética
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Petroleiro russo atraca em Cuba durante crise energética
Um petroleiro russo atracou nesta terça-feira (31) no porto de Matanzas, no oeste de Cuba, com o primeiro carregamento de petróleo recebido pela ilha desde janeiro, após uma trégua concedida por Washington em meio ao embargo de petróleo imposto à ilha.
O navio "Anatoly Kolodkin", sujeito a sanções americanas e que transporta 730 mil barris de petróleo, entrou no porto de Matanzas com a ajuda de rebocadores por volta das 8h15, no horário local (09h15 em Brasília), segundo uma equipe da AFP no local.
A decisão do presidente Donald Trump de permitir que a Rússia forneça petróleo a Cuba evita um confronto com Moscou e oferece um alívio a um país que sofreu com apagões prolongados, racionamento drástico de combustível e redução do transporte público nos últimos meses.
"Nosso agradecimento ao governo e ao povo da Rússia por todo o apoio que estamos recebendo", escreveu na rede social X o ministro cubano de Minas e Energia, Vicente De la O Levy, na primeira reação de Havana.
O ministro destacou que a "carga valiosa" chega à ilha "em meio a uma situação energética complexa".
Na região da baía de Matanzas, alguns cubanos testemunharam a manobra do gigantesco petroleiro.
"Isso é essencial para nossa sobrevivência, porque o país está paralisado", disse à AFP Felipe Serrano, de 76 anos, que trabalha como segurança em um restaurante.
Leticia Munguía, uma aposentada de 61 anos, também estava entusiasmada com a chegada do navio. "Espero que continuem enviando (petróleo), porque este carregamento não vai suprir tudo o que precisamos", disse ela.
Trump afirmou no domingo que não tinha "nenhum problema" com a Rússia enviando petróleo para Cuba, mas um dia depois seu governo deixou claro que isso não representava uma mudança em sua política de sanções.
"Permitimos que este navio viesse a Cuba para atender às necessidades humanitárias do povo cubano. Essas decisões estão sendo tomadas caso a caso", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
- "Alívio temporário" -
A crise energética em Cuba se agravou em janeiro, quando Trump cortou o fornecimento de petróleo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro, principal aliado de Havana na região, e ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse petróleo para a ilha.
A escassez de combustível afeta setores vitais da economia cubana, como turismo, níquel e tabaco, e obrigou o governo a adotar um plano de contingência, incluindo o racionamento drástico de gasolina.
A ilha de 9,6 milhões de habitantes sofreu sete apagões em todo o país desde o final de 2024, dois deles neste mês, que desencadearam protestos incomuns.
Cuba produz cerca de 40.000 barris de petróleo pesado por dia, utilizados para alimentar as oito usinas termelétricas que formam a espinha dorsal do sistema elétrico do país, mas depende da importação de diesel.
Jorge Piñón, especialista no setor energético cubano da Universidade do Texas em Austin, afirmou que a maior necessidade do país é de diesel, um combustível que poderia ser usado em geradores de energia de reserva ou em sistemas de transporte.
O carregamento russo "pode oferecer um alívio temporário, mas está longe de resolver a magnitude do déficit que o país enfrenta", disse à AFP o economista Ricardo Torres, da Universidade Americana de Washington.
"Claramente, não é suficiente", alerta o especialista.
T.Egger--VB