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Irã e Israel prosseguem com ataques; EUA cogitam operação terrestre
Irã e Israel prosseguiram com os ataques nesta segunda-feira (30), enquanto cresce a preocupação com uma eventual operação terrestre dos Estados Unidos contra as ilhas iranianas no Golfo.
A guerra, desencadeada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, virou um conflito regional com os bombardeios da República Islâmica contra outros países do Golfo, em particular contra os interesses econômicos de Washington na região.
Além disso, Teerã fechou de fato o Estreito de Ormuz, via marítima por onde passavam, antes do conflito, 20% dos combustíveis consumidos no planeta. O regime iraniano permite apenas a passagem de navios de países que considera aliados.
Nesta segunda-feira, o Kuwait acusou o Irã de atacar uma central de energia elétrica e de dessalinização, um bombardeio que Teerã atribuiu a Israel. A Arábia Saudita anunciou que interceptou cinco mísseis balísticos.
No Irã, os ataques do fim de semana contra o sistema elétrico provocaram apagões em vários pontos da capital, mas nesta segunda-feira o Ministério da Energia afirmou que a rede está em condição "estável", apesar dos bombardeios.
"Sinto falta de ter uma noite de sono tranquila", disse à AFP uma artista de Teerã. Ela disse que em alguns momentos os bombardeios são "tão intensos que parece que toda Teerã treme".
- Petróleo em alta -
A guerra provocou um grande abalo na economia mundial, com escassez de combustíveis em grande parte da Ásia, agitação nas Bolsas e a disparada dos preços do petróleo.
O WTI, barril de petróleo de referência dos Estados Unidos, superou a cotação de 100 dólares e o Brent, referência global, é negociado por volta dos 117 dólares.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que cogita uma operação militar para tomar o controle do principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Analistas advertiram que qualquer operação terrestre americana ou a eventual resposta iraniana poderia elevar o preço do petróleo a um nível recorde.
"Se os Estados Unidos iniciarem uma invasão terrestre do Irã, possivelmente tomando a ilha de Kharg, ou se Teerã intensificasse os bombardeios de retaliação contra infraestruturas energéticas ou se fechasse totalmente o Estreito (de Ormuz), as projeções de 200 dólares por barril de petróleo deixarão de ser uma suposição de outro mundo", disse o analista Tamas Varga, da PVM Energy.
O preço do petróleo nunca superou 150 dólares por barril, um recorde estabelecido em julho de 2008, mas a cotação do Brent do Mar do Norte aumentou quase 60% desde o início da guerra, no fim de fevereiro, e o do WTI, quase 30%.
Em entrevista ao jornal Financial Times, Trump afirmou que deseja "tomar o petróleo no Irã" e que poderia assumir o controle da ilha de Kharg, onde fica o maior terminal para exportação de petróleo do Irã.
O mandatário republicano comparou a operação com a que ordenou na Venezuela, onde Washington planeja controlar a indústria do petróleo após ter capturado o presidente Nicolás Maduro em janeiro.
Apesar da guerra prolongada, Trump disse que está confiante em alcançar uma solução negociada em breve.
- Esforços diplomáticos -
Na frente diplomática, o Paquistão recebeu os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Turquia e Egito para conversas sobre o conflito.
O ministro paquistanês das Relações Exteriores, Ishaq Dar, afirmou que seus homólogos discutiram em Islamabad como alcançar "um final rápido e permanente para a guerra".
O Paquistão consolidou sua atuação como um mediador crucial entre Irã e Estados Unidos, já que Islamabad mantém vínculos de longa data com Teerã e contatos estreitos no Golfo; seu primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, mantém uma relação pessoal com Donald Trump.
Apesar das negociações, o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, acusou Washington de usar a diplomacia como cortina de fumaça.
Após alguns gestos diplomáticos, como apresentar a proposta de um plano de 15 pontos para encerrar a guerra, os Estados Unidos também enviaram mais recursos militares à região, incluindo um navio de ataque com 3.500 fuzileiros navais a bordo.
- Ofensiva contra o Hezbolla -
Israel intensificou a ofensiva contra o movimento libanês pró-Irã Hezbollah no sul do Líbano. A Indonésia confirmou que um de seus soldados morreu depois que a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) afirmou que um projétil atingiu uma de suas posições.
Os ataques israelenses no território libanês deixaram mais de 1.200 mortos desde o início da guerra, em 2 de março, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou no domingo a "expansão" da zona de segurança no país vizinho para "neutralizar" a ameaça do Hezbollah.
Israel anunciou que sua defesa aérea respondeu a "mísseis lançados do Irã", depois de relatar bombardeios contra infraestruturas militares em Teerã.
O Irã confirmou a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, em bombardeios israelenses na semana passada. Segundo Israel, ele era o responsável pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
burs/dc/ser/jvb/pb/fp-jc
K.Hofmann--VB