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Lula busca acordo com a Índia sobre minerais críticos e terras raras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará concluir um acordo sobre minerais críticos e terras raras com a Índia durante uma reunião com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, no sábado (21).
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, necessárias para a fabricação de produtos tão diversos como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de avião e mísseis guiados.
A produção de terras raras é quase um monopólio da China, que, assim como o Brasil, trava uma disputa tarifária com o governo do presidente americano, Donald Trump.
Mas a Índia deseja reduzir sua dependência da China e desenvolveu a produção nacional e suas atividades de reciclagem, ao mesmo tempo em que tenta diversificar sua carteira de fornecedores de minerais críticos.
Segundo fontes oficiais, Lula pretende assinar um memorando sobre os minerais durante as reuniões com Modi na Índia, um país com o qual o Brasil tenta reforçar as relações comerciais.
O presidente brasileiro chegou a Nova Délhi na quarta-feira (18), acompanhado por vários ministros e por uma grande comitiva empresarial, incluindo vários CEOs de companhias brasileiras.
Rishabh Jain, especialista do 'Council on Energy, Environment and Water' (CEEW), think tank com sede em Nova Délhi, destacou que a cooperação entre Índia e Brasil no setor dos minerais críticos se soma a outros acordos alcançados com Estados Unidos, França e União Europeia (UE) sobre as cadeias de suprimentos.
Jain declarou à AFP que, embora os acordos tenham contribuído para melhorar o acesso a tecnologias de ponta, o financiamento e o tratamento de alta tecnologia, "as alianças com os países do Sul são essenciais para garantir um acesso diversificado e concreto aos recursos e moldar as novas regras do comércio mundial".
Com quase 1,5 bilhão de habitantes, a Índia é o país de maior população do mundo e o 10º mercado para as exportações brasileiras. Estima-se que o comércio bilateral superou 15 bilhões de dólares (78 bilhões de reais) em 2025.
- Aumento da cooperação -
O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina. No ano passado, os dois países estabeleceram como meta que as transações comerciais bilaterais alcancem 20 bilhões de dólares (104,5 bilhões de reais) até 2030.
Modi e Lula também abordarão as dificuldades econômicas globais e as tensões nos sistemas de comércio multilaterais provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra Brasil e Índia em 2025, que estimularam o reforço da cooperação entre os dois países.
Washington suspendeu, no entanto, este mês uma tarifa adicional de 25% sobre produtos indianos. Em troca, Nova Délhi deve parar de comprar petróleo russo e, em vez disso, passar a comprar produtos energéticos americanos.
"Lula e Modi terão a oportunidade de trocar pontos de vista sobre a situação mundial e, em particular, sobre os desafios que o multilateralismo e o comércio internacional enfrentam", disse a diplomata brasileira Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores.
Entre as principais exportações do Brasil para a Índia estão o açúcar, o petróleo bruto, os óleos vegetais, o algodão e o ferro.
A demanda por minério de ferro aumentou com o rápido desenvolvimento das infraestruturas e do crescimento industrial da Índia, que pode se tornar a quarta maior economia do mundo em breve.
As empresas brasileiras também estão ampliando a presença na Índia. O grupo Adani e a Embraer assinaram um acordo de fabricação de helicópteros em janeiro.
Na quinta-feira, Lula discursou na cúpula sobre inteligência artificial 'AI Impact', em Nova Délhi. O brasileiro pediu o estabelecimento de um programa de governança mundial, multilateral e inclusivo para a IA.
Depois da Índia, ele visitará a Coreia do Sul, onde se reunirá com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial Brasil–Coreia do Sul.
F.Stadler--VB