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Modi, Lula, Macron e magnatas da tecnologia debatem riscos da IA em cúpula na Índia
Líderes mundiais e muitos dos principais magnatas da tecnologia, convocados pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, debateram nesta quinta-feira (19) as oportunidades e os riscos da inteligência artificial (IA) em uma reunião de cúpula em Nova Délhi.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, também participam do evento, ao lado de outros chefes de Estado. Espera-se que, no fim de semana, seja assinada uma declaração destinada a regular o uso da IA.
A programação de discursos de empresários de tecnologia é liderada pelo CEO da OpenAI e do ChatGPT, Sam Altman, e pelo diretor do Google DeepMind, Demis Hassabis.
Também estava previsto um discurso do magnata Bill Gates, mas o cofundador da Microsoft cancelou sua participação em meio ao escândalo provocado pela presença de seu nome nos arquivos do caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein. Gates insiste que não cometeu nenhum crime.
"Após uma avaliação cuidadosa, e para garantir que a atenção se mantenha nas prioridades centrais da Cúpula sobre IA, o senhor Gates não fará seu discurso de abertura", informou a fundação que leva seu nome.
Impulsionada pelos sólidos resultados nas Bolsas das empresas de tecnologia, a revolução provocada pela IA alimenta preocupações em todo o planeta sobre seu impacto no meio ambiente, nos empregos, na criação artística, na educação e na informação.
Sam Altman afirmou em seu discurso que o mundo precisa "urgentemente" regulamentar a tecnologia em rápida evolução. O CEO da OpenAI disse que poderia ser criada uma organização para coordenar os esforços, similar à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
"A democratização da IA é a melhor maneira de garantir que a humanidade prospere", disse, antes de acrescentar que "a centralização dessa tecnologia em uma única empresa ou país poderia levar à ruína".
"Isto não quer dizer que não precisamos de qualquer regulamentação ou medida de segurança", destacou Altman. "É óbvio que precisamos delas, com urgência, assim como precisamos para outras tecnologias potentes", apontou.
Muitos pesquisadores e ativistas consideram que são necessárias medidas mais firmes para combater problemas que surgem com esta tecnologia, que vão da disrupção no mercado de trabalho até deepfakes sexualizados e golpes online potencializados pela IA.
"Os próximos anos colocarão a sociedade global à prova, à medida que esta tecnologia continuará melhorando a um ritmo vertiginoso. Podemos optar por empoderar as pessoas ou por concentrar o poder", disse Altman. "A tecnologia sempre altera os empregos. Sempre encontramos coisas novas e melhores para fazer".
Antes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo aos magnatas da tecnologia para que apoiem a criação de um fundo global de 3 bilhões de dólares (15 bilhões de reais) para garantir que a IA seja acessível a todos.
O francês Macron disse, por sua vez, que seu governo está determinado a assegurar uma supervisão segura da IA: "A mensagem que vim transmitir é que estamos determinados a continuar definindo as regras do jogo e a fazê-lo com nossos aliados, como a Índia".
"A Europa não se concentra cegamente na regulamentação: a Europa é um espaço para inovação e investimento, mas é um espaço seguro", acrescentou.
O anfitrião do encontro, Modi, afirmou que é necessário "democratizar a IA". Ela deve se tornar um meio de inclusão e empoderamento, sobretudo para o Sul Global".
- "Transformação espetacular" -
Outro dos principais temores sobre a IA envolve as consequências para o mercado de trabalho, especialmente na Índia, onde milhões de pessoas trabalham em centros de atendimento telefônico e serviços de assistência técnica.
Com seus 1 bilhão de internautas, a Índia se vangloria de ser o primeiro país em desenvolvimento a organizar esta cúpula, a quarta dedicada a esta tecnologia, que começou na segunda-feira.
Na terça-feira, o ministro de Tecnologias da Informação indiano, Ashwini Vaishnaw, anunciou que o país espera atrair, em dois anos, 200 bilhões de dólares em investimentos de empresas de tecnologia para o seu território, em particular para projetos de IA.
Esta soma inclui US$ 90 bilhões já revelados no ano passado para a construção de centros de dados por parte de Google, Microsoft e outras empresas, atraídas por uma mão de obra abundante, capacitada e barata que já transformou a Índia em um campeão da terceirização.
"Desde a minha infância [passada] em Chennai, a Índia tem experimentado uma transformação espetacular", destacou nesta quarta-feira à imprensa Sundar Pichai, nascido no país asiático e diretor-geral da Alphabet, a empresa matriz do Google.
- Contratos -
Nesta quinta-feira, a OpenAI e a empresa local Tata Consultancy Services (TCS) anunciaram a construção de um centro de dados na Índia.
A número um mundial em semicondutores para IA, Nvidia, anunciou na quarta-feira uma associação com o provedor indiano de centros de dados e serviços na nuvem L&T, com sede em Mumbai (oeste), para criar "a maior fábrica de IA da Índia".
O Google anunciou a construção de novos cabos submarinos a partir do país asiático, como parte de um gigantesco investimento que prevê, além disso, a construção do maior centro de dados da empresa fora do território dos Estados Unidos na cidade de Visakhapatnam (sudeste).
No ano passado, a Índia ocupou o terceiro lugar, à frente da Coreia do Sul e do Japão, na classificação mundial anual de competitividade em matéria de IA elaborada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
Apesar dos muitos contratos e investimentos anunciados, os organizadores da cúpula foram alvo de críticas pelos congestionamentos nos pontos de entrada e outros problemas, especialmente no primeiro dia.
G.Haefliger--VB