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China, o parceiro indispensável da Venezuela de Maduro
A China era a maior compradora de petróleo venezuelano e um pilar econômico do governo do presidente deposto, Nicolás Maduro. Agora que os Estados Unidos prometeram assumir o controle da indústria petroleira do país sul-americano, o futuro de Pequim em Caracas é altamente incerto.
Aqui estão algumas perguntas e respostas importantes sobre essa relação:
- Quanto de petróleo a China comprava? -
A China importou cerca de 400 mil barris diários de petróleo venezuelano no ano passado, segundo dados compilados pela empresa de inteligência comercial Kpler.
Esse número representou mais da metade de todo o petróleo exportado pelo país, segundo os cálculos.
Grande parte do petróleo venezuelano destinado à China é transferido de um navio para o outro em águas próximas à Malásia ou por terceiros países, como forma de ocultar o produto, que está sujeito a rigorosas sanções dos Estados Unidos.
Essas exportações foram uma tábua de salvação crucial para o governo de Maduro, que manteve o aparato estatal diante da crescente pressão de Washington e do descontentamento interno latente.
- Como esse petróleo é usado? -
O petróleo venezuelano é pesado e "ácido", com alto teor de enxofre, o que exige um processamento intensivo.
Na China, esse trabalho é realizado principalmente por pequenas refinarias independentes concentradas perto da costa leste do país, conhecidas como "chaleiras" (teapots, em inglês).
Ao contrário das gigantes estatais, essas refinarias independentes são empresas resilientes e focadas no lucro. Juntas, são as principais compradoras de petróleo barato e sancionado, como o da Venezuela ou do Irã.
Além de ser uma fonte de energia, o petróleo venezuelano também é usado na fabricação de asfalto para pavimentação de estradas e betume para impermeabilizar telhados.
- O que Pequim ganhava com essa relação? -
A China depende de importações de diversos fornecedores estratégicos para sua própria segurança energética. A Venezuela representava apenas uma pequena parte dessa equação.
Segundo estimativas, o país foi responsável por aproximadamente 4% a 5% das importações chinesas de petróleo no ano passado. Grande parte desse petróleo foi usada para pagar os substanciais investimentos de Pequim em projetos de desenvolvimento na Venezuela nas últimas décadas.
Caracas ainda deve cerca de 10 bilhões de dólares (53,8 bilhões de reais, na cotação atual) em empréstimos chineses, que totalizaram 60 bilhões de dólares em 2023 (323 bilhões de reais hoje), de acordo com o Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.
A China "espera que a América Latina, incluindo a Venezuela, seja um nó importante para sua Iniciativa Cinturão e Rota", disse à AFP Dan Wang, diretor para a China do Eurasia Group, referindo-se à principal aposta de investimento estrangeiro do presidente Xi Jinping.
Pequim busca "unir o Sul Global", disse Wang, observando que "progressos significativos" foram feitos com "alguns países amigos" da região, incluindo a Venezuela.
- A China poderá continuar comprando petróleo venezuelano? -
A intervenção militar de Washington provavelmente interromperá o fluxo de petróleo no curto prazo.
Mas logo após depor Maduro, Trump afirmou que as empresas americanas eventualmente venderiam "grandes quantidades" de petróleo venezuelano para compradores globais — incluindo "muitos dos que o utilizam agora" — assim que a indústria petroleira do país, debilitada, fosse reconstruída.
Enquanto isso, a China poderia facilmente comprar petróleo de outros fornecedores. As importações chinesas de petróleo da Rússia e da Arábia Saudita superaram em muito as da Venezuela no ano passado.
No entanto, a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas do mundo, com 303,2 bilhões de barris, segundo a Opep. Isso a coloca à frente da Arábia Saudita e do Irã.
No longo prazo, Wang espera que a China continue comprando petróleo da Venezuela. Trump "quer um acordo", disse ele.
R.Kloeti--VB