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Capital saudita emite primeiro alerta aéreo desde a retomada dos combates no Iêmen
Fortes explosões foram ouvidas neste sábado (19) em Riade, após um alerta aéreo emitido pelas autoridades da Arábia Saudita, o primeiro do tipo na capital desde a intensificação dos combates no Iêmen.
O reino sofreu nos últimos dias um aumento dos ataques dos houthis, combatentes pró-Irã que controlam grande parte do vizinho Iêmen e acabam de registrar um avanço considerável contra o governo reconhecido pela comunidade internacional, apoiado por uma coalizão liderada por Riade.
É a primeira vez, no entanto, que um alerta de ataque aéreo é acionado na capital do país, o principal exportador mundial de petróleo bruto e aliado estratégico dos Estados Unidos na região, desde a intensificação do conflito.
As hostilidades abalam ainda mais uma economia mundial já fragilizada por quase sete meses de guerra no Oriente Médio entre Washington e Teerã.
"A região está sob uma ameaça aérea hostil", alertava uma mensagem recebida pelos moradores de Riade em seus telefones pouco antes das 3h00 locais (21h00 de sexta-feira, no horário de Brasília), na qual eram orientados a permanecer em casa.
Posteriormente, jornalistas da AFP ouviram duas explosões e o alerta foi suspenso cerca de meia hora depois pela Defesa Civil saudita.
A Arábia Saudita ainda não se pronunciou sobre a ameaça mencionada nos avisos enviados durante a noite aos moradores de várias regiões.
Na quarta-feira, Riade acusou os houthis por um ataque contra Meca e denunciou um "covarde ataque terrorista" contra a cidade sagrada do islã, que recebe todos os anos milhões de peregrinos, sunitas e xiitas.
Os houthis negaram veementemente a acusação, que chamaram de "mentira batida".
Por sua vez, o grupo relatou dezenas de ataques de represália executados diariamente por Riade desde sua ofensiva relâmpago do início do mês para tomar o controle de toda a costa do Mar Vermelho do país, incluindo o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
- Redução das exportações sauditas -
A guerra no Iêmen começou em 2014, quando os houthis tomaram o controle da capital, Sanaa, e depois de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.
Uma frágil trégua alcançada em 2022 entre as partes beligerantes foi rompida em julho, quando os combatentes pró-Irã desafiaram o controle de Riade sobre o espaço aéreo iemenita ao permitir que um avião iraniano pousasse no Iêmen.
A recente tomada do litoral pelos houthis provocou preocupação, já que o comércio marítimo internacional foi gravemente afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz por parte de Teerã desde o início da guerra regional, no fim de fevereiro.
Os houthis insistem que não existe qualquer ameaça à navegação nesta rota, exceto para os navios sauditas.
Os números da empresa de rastreamento marítimo Kpler mostram que as exportações de Riade através do Estreito de Bab el-Mandeb diminuíram desde julho, embora cinco navios cargueiros tenham atravessado a rota na última semana.
Pelo menos 112.000 pessoas foram deslocadas no Iêmen e quase 3.000 se refugiaram no Djibouti desde que os combates foram retomados no início de setembro neste país, o mais pobre da Península Arábica, segundo os números mais recentes da ONU.
T.Suter--VB