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Rússia acusa Ucrânia de atacar residência de Putin; Zelensky nega
A Rússia acusou, nesta segunda-feira (29), a Ucrânia de ter lançado drones contra uma residência do presidente Vladimir Putin e anunciou que "revisará" sua postura nas negociações para pôr fim à guerra após esse ataque.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, denunciou imediatamente o que classificou de "mentira" de Moscou que, segundo ele, busca preparar o terreno para realizar novos ataques contra Kiev e "minar" os esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito desencadeado pela invasão russa de 2022.
Essas acusações lançam dúvidas sobre o futuro das negociações diplomáticas que se desenvolvem desde novembro para tentar acabar com o conflito mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Em um comunicado, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a Ucrânia lançou durante a noite 91 drones contra a "residência oficial" do presidente russo na região de Novgorod. No entanto, assegurou que todos foram derrubados pela defesa aérea.
Esse ataque, prosseguiu, "foi realizado em plena fase de intensas negociações entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a resolução do conflito ucraniano e não ficará sem resposta".
"Mais uma mentira da Federação da Rússia", denunciou Zelensky durante um encontro virtual com jornalistas. "Eles não querem que a guerra termine", concluiu.
Em paralelo, Putin teve nesta segunda uma conversa por telefone com o presidente americano, Donald Trump, para trocar impressões sobre os avanços das negociações após a reunião de domingo na Flórida entre Trump e Zelensky. O diálogo foi "positivo", indicou a Casa Branca.
Porém, segundo o conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, Putin disse a seu par americano que a posição da Rússia sobre "certos acordos alcançados na fase anterior" e sobre as soluções propostas seria "reavaliada" após o "ataque terrorista" de Kiev.
- 'Tropas internacionais' -
Zelensky e negociadores de Kiev conversaram por telefone nesta segunda com o enviado americano Steve Witkoff sobre os próximos passos das negociações.
Mais cedo, o presidente ucraniano afirmou que os Estados Unidos ofereceram a Kiev garantias de segurança "sólidas" perante Moscou por 15 anos prorrogáveis.
O governante também considerou que a presença de "tropas internacionais" na Ucrânia, uma possibilidade que o Kremlin já descartou no passado, constituiria uma garantia de segurança necessária e "real", que reforçaria a confiança dos cidadãos e dos investidores diante do risco de uma nova agressão russa.
A nova versão do plano para encerrar a guerra propõe que a linha de frente fique congelada nas posições atuais, sem oferecer uma solução imediata para as reivindicações territoriais da Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano.
A versão anterior, apresentada por Washington há quase um mês, foi modificada a pedido de Kiev porque a considerava excessivamente favorável a Moscou.
O novo documento também deixa de fora duas exigências-chave do Kremlin: a retirada das tropas ucranianas da região de Donetsk, na bacia industrial do Donbass (leste); e que a Ucrânia se comprometa legalmente a não aderir à Otan.
Segundo Zelensky, dois temas ainda estão em aberto: o funcionamento da usina nuclear de Zaporizhzhia (sul) e a questão territorial.
- Garantias de segurança -
Também afirmou esperar que autoridades americanas e europeias se reúnam "nos próximos dias" na Ucrânia e reafirmou seu apoio à organização de um referendo na Ucrânia que, segundo ele, atuaria como um "instrumento potente" para que a "nação ucraniana" aceite as condições de paz que forem propostas.
Na capital ucraniana, os habitantes mostram-se bastante céticos.
"Já assinamos garantias de segurança, e o que elas nos trouxeram? Absolutamente nada. Que garantias de segurança podem vir de um Estado terrorista?", declarou à AFP a fotógrafa Anastasia Pashtshenko, em referência à Rússia.
Moscou não para de aumentar a pressão no terreno. Putin disse nesta segunda que as tropas russas "avançam com segurança" ao longo da linha de frente e que a tomada de territórios no Donbass e nas regiões de Zaporizhzhia e Kherson (sul), cuja anexação é reivindicada por Moscou, está sendo realizada "conforme o plano".
O.Schlaepfer--VB