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Trump garante que Zelensky e Putin falam 'sério' sobre plano de paz
O presidente americano, Donald Trump, considerou, neste domingo (28), que os líderes da Ucrânia e da Rússia estão comprometidos com a paz no que descreveu como as "etapas finais" dos esforços de Washington pôr fim à guerra iniciada em 2022.
Trump, que tinha prometido acabar com o conflito entre a Ucrânia e a Rússia no primeiro dia de seu mandato, em janeiro, afirmou que não tem um prazo, mas que busca acelerar o processo, ao receber na Flórida o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
Assim como quando Zelensky se reuniu pela última vez com Trump, em outubro, o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone um pouco antes com o presidente americano. Imediatamente, Trump expressou novas esperanças de trabalhar com Moscou, que tem buscando evitar uma pressão maior dos aliados da Ucrânia em Washington e na Europa.
O renovado tom otimista de Trump contrasta com o ceticismo da Europa sobre as intenções de Putin, depois que Moscou lançou outro bombardeio maciço contra Kiev no sábado, enquanto Zelensky viajava para a Flórida.
Quando perguntado se Putin estava comprometido com a paz apesar dos ataques, Trump disse que ele fala "muito a sério" a respeito.
Antes de começarem as conversações na residência de Trump em Mar-a-Lago, o presidente americano publicou nas redes sociais que a conversa com Putin foi "muito produtiva".
Em declarações a jornalistas ao lado de Zelensky, que estava um degrau abaixo dele na entrada da residência, Trump afirmou que um acordo incipiente também seria bom para a Ucrânia.
"Haverá garantias de segurança. Serão fortes", disse Trump. "E os países europeus estarão muito envolvidos", acrescentou.
Os assessores de Trump inicialmente avaliavam a ideia de oferecer à Ucrânia garantias de segurança similares às da Otan, o que significaria teoricamente que os membros da Aliança Atlântica responderiam militarmente se a Rússia voltasse a atacar.
- Moscou exige concessões -
O Kremlin fez uma leitura mais contundente da conversa entre Trump e Putin. Segundo o governo russo, o presidente americano concordou que um simples cessar-fogo "só prolongaria o conflito", enquanto Moscou exigia que a Ucrânia fizesse concessões territoriais.
Zelensky buscou mostrar sua disposição de trabalhar dentro dos planos do presidente americano, mas Putin não deu nenhum indício de que vá aceitá-los.
Em sua reunião de outubro, Trump recusou o pedido de Zelensky de mísseis Tomahawk de longo alcance, ao mesmo tempo em que ressaltou que Putin estava mostrando sinais positivos.
Espera-se que as conversas entre Trump e Zelensky durem uma hora, após as quais os dois preveem conversar por telefone conjuntamente com líderes dos principais aliados europeus.
Trump e Putin também têm prevista outra conversa por telefone mais tarde neste domingo.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, que participará do telefonema, escreveu no X que os ataques russos contra Kiev foram "contrários às expectativas do presidente Trump e apesar da disposição de fazer concessões" por parte de Zelensky.
O ataque com drones e mísseis contra Kiev, na madrugada de sexta para sábado, deixou temporariamente sem eletricidade e calefação centenas de milhares de pessoas em meio a temperaturas congelantes.
- Zelensky mostra abertura -
O plano de paz revisado, resultante de semanas de intensas negociações entre os Estados Unidos e a Ucrânia, deteria a guerra ao longo das linhas de frente atuais e poderia exigir que a Ucrânia retire tropas do leste, permitindo a criação de zonas desmilitarizadas de amortecimento.
O texto inclui o reconhecimento mais explícito até agora por parte de Kiev sobre possíveis concessões territoriais. Mas não contempla que a Ucrânia se retire de 20% da região oriental de Donetsk que ainda controla, que é a principal exigência da Rússia.
Zelensky foi cuidadoso em manter um tom positivo durante a reunião com Trump. "É muito importante que nossas equipes falem de estratégia", disse.
Em seguida, os dois líderes entraram na sala de jantar da residência do presidente americano, cercados de seus principais assessores, enquanto Trump pedia à imprensa que se retirasse e anunciava que iriam almoçar.
A Rússia acusou a Ucrânia e seus aliados europeus de tentarem "torpedear" um plano anterior, mediado pelos Estados Unidos, para deter os combates.
Os avanços recentes da Rússia no campo de batalha, como a tomada de outras duas cidades no leste da Ucrânia, anunciada no sábado, são vistas como um fortalecimento da posição de Moscou nas negociações de paz.
"Se as autoridades de Kiev não querem resolver este assunto pacificamente, solucionaremos todos os problemas que temos pela via militar", advertiu Putin no sábado.
A.Kunz--VB