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Autoridades do Nepal assinam acordo com representantes da geração Z
Autoridades do Nepal assinaram, nesta quarta-feira (10), um acordo histórico com representantes da geração Z, três meses depois do levante mortal de setembro, que levou à queda do governo deste país do Himalaia.
Os protestos, provocados inicialmente pela revolta contra uma breve proibição oficial das redes sociais, foram liderados pela juventude nepalesa, reunida sob a bandeira da Geração Z. Os atos foram alimentados por profundas frustrações com as adversidades econômicas e a corrupção.
Os presentes à cerimônia na capital, Katmandu, aplaudiram quando a primeira-ministra interina Sushila Karki e Bhoj Bikram Thapa, representante das pessoas mortas e feridas durante as manifestações, assinaram o acordo.
"Este é um marco", afirmou a primeira-ministra. "Estamos todos do mesmo lado. O que todos queremos é que os jovens tenham acesso a cargos de direção e que o país seja governado segundo suas aspirações e ideias", acrescentou.
O termo "Geração Z", que designa os jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o fim dos anos 2000, costuma ser usado por movimentos surgidos entre jovens frustrados com as desigualdades. Essas mobilizações têm-se multiplicado e, nos últimos meses, sacudiram governos em três continentes onde a juventude é numerosa (África, Ásia e América Latina).
O acordo assinado nesta quarta-feira no Nepal define medidas para combater a corrupção no país, reforçar a governança e prevê reformas eleitorais e constitucionais.
Segundo o documento, o governo se compromete a responder às demandas das famílias das pessoas mortas ou feridas durante o levante e amplia o mandato da comissão de inquérito sobre os acontecimentos.
"Este é um momento muito emocionante e uma vitória histórica para toda a geração Z", disse à AFP Yujan Rajbhandari, de 23 anos, presente no ato de assinatura.
"Este acordo legitima o movimento da geração Z e nós esperamos que ele traga justiça às famílias dos mártires", acrescentou.
Pelo menos 19 pessoas morreram em consequência da repressão no primeiro dia das manifestações, ocorridas em setembro.
No dia seguinte, os distúrbios se propagaram por todo o país. A sede do Parlamento e os prédios governamentais foram incendiados, levando à queda do governo.
Ao menos 76 pessoas foram mortas em dez dias de distúrbios. Alguns dias depois, a ex-presidente da Suprema Corte Sushila KarkiKarki, de 73 anos, foi nomeada primeira-ministra interina para chefiar o país até a celebração de eleições, em 5 de março de 2026.
O panorama político do Nepal segue volátil, com uma desconfiança generalizada com os principais partidos complicando os esforços para garantir a realização de eleições confiáveis.
E.Gasser--VB