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Ucrânia está pronta para trabalhar com EUA no plano para acabar com a guerra
A Ucrânia está pronta para trabalhar com os Estados Unidos no plano para acabar com a guerra com a Rússia, afirmou Kiev nesta quinta-feira(20), depois que Washington apresentou oficialmente um "projeto" nesse sentido ao presidente Volodimir Zelensky.
Nenhuma das partes revelou detalhes da proposta, mas, segundo uma fonte familiarizada com o assunto, incluiria algumas das exigências de Moscou.
O gabinete de Zelensky afirmou que esperava discutir o conteúdo do plano com Trump nos próximos dias. A seguir, o que se sabe sobre a proposta.
- Território -
Os detalhes do plano, compartilhados com a AFP por um funcionário de alto escalão familiarizado com o assunto, parecem incluir demandas-chave da Rússia que a Ucrânia havia rejeitado e equiparado a uma rendição.
Ao mesmo tempo, explicou esta fonte, a proposta não deixa claro quais compromissos a Rússia assumiria em troca.
O plano, que conteria 28 pontos, estabelece o "reconhecimento da Crimeia e de outras regiões que os russos tomaram".
Atualmente, as tropas russas controlam cerca de um quinto do país, em grande parte destruído por anos de combates.
Em 2022, o Kremlin reivindicou a anexação de quatro regiões ucranianas (Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson), embora não as controle totalmente.
A Rússia também anexou a península da Crimeia em 2014. Esse território está sob domínio absoluto de Moscou.
Embora as autoridades ucranianas tenham dito várias vezes que nunca reconhecerão o controle russo sobre seu território, também reconheceram que podem ser forçadas a fazê-lo.
Mas ceder o território de Luhansk e Donetsk que ainda controla pode tornar a Ucrânia mais vulnerável em caso de um futuro ataque russo.
"É uma questão de sobrevivência do nosso país", disse recentemente o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
- Tropas e armamento -
O plano também inclui uma redução do exército ucraniano para 400.000 efetivos, mais da metade de seu tamanho atual, disse a mesma fonte.
Além disso, Kiev deveria renunciar ao seu armamento de longo alcance. Outros meios informaram que seria completamente proibido o desdobramento de tropas ocidentais na Ucrânia.
Essas condições correspondem às exigências russas nas negociações em Istambul deste ano. Moscou pediu então a redução das forças armadas ucranianas, a proibição de novos recrutamentos e a paralisação do envio de armas ocidentais.
A Rússia também insiste que não aceitará a presença de tropas da Otan no território ucraniano.
Já a Ucrânia quer garantias de segurança dos países ocidentais, entre elas uma força de paz europeia, para prevenir novos ataques russos.
A proposta supostamente inclui disposições nesse sentido.
- De quem é o plano? -
O meio de comunicação americano Axios afirmou que o plano foi elaborado em conversas secretas entre o governo de Donald Trump e autoridades russas. Muitos elementos parecem ecoar as posições de Moscou sobre um eventual fim do conflito.
"Parece que os russos propuseram isso aos americanos e eles aceitaram", afirmou uma autoridade à AFP.
A Ucrânia confirmou nesta quinta-feira que recebeu o plano e disse que, segundo a análise dos Estados Unidos, "poderia revitalizar a diplomacia".
O comunicado do gabinete de Zelensky não deu detalhes nem opiniões sobre a proposta, mas destacou que concordou com Washington em "garantir um fim digno para a guerra".
Zelensky se reuniu com oficiais do exército americano em Kiev. O Kremlin recusou-se a comentar o assunto.
R.Buehler--VB