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Israel anuncia mais ataques contra o Irã, país que considera prestes a ser 'dizimado'
Israel lançou nesta sexta-feira (20) novos bombardeios contra o Irã, país que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, está prestes a ser "dizimado", apesar dos ataques com mísseis e drones da República Islâmica que continuam abalando seus vizinhos do Golfo.
"Estamos vencendo a guerra e o Irã está sendo dizimado", disse Netanyahu na quinta-feira, em uma entrevista coletiva exibida na televisão, durante a qual destacou que Teerã já "não tem mais a capacidade de enriquecer urânio e não tem mais a capacidade de produzir mísseis balísticos".
"Acredito que esta guerra terminará muito mais rápido do que as pessoas imaginam", acrescentou, sem definir um prazo.
No 21º dia de guerra, as declarações, percebidas como tranquilizadoras, acalmaram os mercados.
Wall Street fechou em queda moderada na quinta-feira e o petróleo voltou a registrar leve queda, com o barril de Brent do Mar do Norte, a referência internacional, negociado a 107 dólares.
Na guerra, que se tornou regional, os ataques prosseguiam nesta sexta-feira, dia em que o Irã celebra o Noruz, o Ano Novo persa, e muitos países muçulmanos comemoram a Festa do Fim do Jejum.
O Irã, país de maioria xiita, marcou para sábado a última festividade para marcar o fim do Ramadã.
- Refinaria atacada no Kuwait -
O Golfo continua sendo alvo de ataques com mísseis e drones: os Emirados Árabes Unidos anunciaram que responderam a ataques com foguetes, a Arábia Saudita informou que interceptou vários drones, em particular no leste do país, e o Bahrein afirmou que controlou o incêndio em um depósito provocado por estilhaços procedentes de uma "agressão iraniana".
No Kuwait, uma refinaria, que já havia sido bombardeada na quinta-feira, sofreu um novo ataque com drones, o que provocou um incêndio e o fechamento de várias unidades do complexo.
Em retaliação à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro, o Irã atacou os interesses de Washington nos países do Golfo e as instalações de energia, o que alimenta os temores de perturbações na economia mundial.
O preço do gás na Europa disparou na quinta-feira, levando o índice TTF holandês, referência no continente, a níveis que não eram registrados desde 2023.
O Catar calculou que sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) foi reduzida em 17% após os recentes ataques contra sua principal usina de produção, em Ras Laffan.
A ofensiva iraniana foi uma resposta aos ataques de Israel contra a instalação marítima de South Pars/North Dome, a maior reserva de gás conhecida do mundo, compartilhada por Irã e Catar.
O presidente americano, Donald Trump, pediu a Israel que interrompa os ataques contra as infraestruturas de energia do Irã, e Netanyahu disse que atenderia à solicitação.
Ao mesmo tempo, o mandatário republicano também ameaçou destruir "a totalidade do campo" de South Pars/North Dome se o Irã prosseguisse com os ataques.
O Irã respondeu que não demonstrará "nenhuma moderação" caso as infraestruturas de energia sejam atacadas novamente, segundo o chanceler da República Islâmica, Abbas Araghchi.
"Nossa resposta ao ataque israelense contra nossas infraestruturas mobilizou apenas uma FRAÇÃO do nosso poder", disse.
- Pedido de moratória aos ataques -
Reunidos em um encontro de cúpula em Bruxelas, os líderes da União Europeia (UE) pediram uma "moratória" aos ataques contra infraestruturas de energia e hídricas, com um apelo à "máxima moderação".
Após um apelo dos Estados Unidos que inicialmente não recebeu resposta, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Holanda e Japão anunciaram que estão "dispostos a contribuir", quando chegar o momento, aos esforços para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o petróleo e o gás mundiais, bloqueada de fato pelo Irã.
Contudo, Paris, Roma e Berlim destacaram que uma participação só é possível com o fim dos combates.
O presidente francês, Emmanuel Macron, mencionou a possibilidade de uma futura missão, no âmbito da ONU, após o fim das hostilidades.
Para acalmar o mercado de petróleo, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) começaram a liberar suas reservas estratégicas: no total, serão disponibilizados 426 milhões de barris, a maioria de petróleo bruto.
- Novos ataques no Líbano -
No Líbano, arrastado para a guerra em 2 de março pelos ataques do movimento pró-iraniano Hezbollah contra Israel, a agência oficial de notícias local informou nesta sexta-feira novos bombardeios das forças do Estado hebreu contra cidades do sul.
"Caças do inimigo israelense lançaram ataques ao amanhecer contra as localidades de Bafliyeh e Hanine, nos distritos de Tiro e Bint Jbeil", informou a Agência Nacional de Notícias, que também citou ataques contra outras cinco localidades.
Na quinta-feira, o presidente libanês Joseph Aoun voltou a pedir uma trégua e negociações com Israel, por ocasião da visita do chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, que pretende viajar a Israel nesta sexta-feira.
burx-maj/lgo/arm/ahg/fp
F.Fehr--VB