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STF condena integrantes dos Kids Pretos a penas de até 24 anos de prisão
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (18), a penas de até 24 anos de prisão, três altos comandantes militares e um policial por planejarem o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Os condenados "elaboraram um plano de neutralização de autoridades públicas", entre elas Lula e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, conforme afirmou o próprio magistrado ao apresentar seu voto pela condenação.
O plano foi parte da trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos de prisão.
O STF condenou Bolsonaro por ter liderado uma "organização criminosa" para impedir a posse de Lula após perder as eleições em 2022.
Os tenentes-coronéis do Exército Rodrigo Bezerra de Azevedo, Rafael Martins de Oliveira e Hélio Ferreira Lima, bem como o policial federal Wladimir Matos Soares, se encarregaram de fazer o monitoramento do ministro do Supremo e do presidente, afirmou Moraes.
"Neutralização é um termo eufemístico, né? De assassinato, homicídio, morte de autoridades", enfatizou o juiz sobre as intenções da trama.
Ferreira Lima foi condenado a 24 anos de prisão. Os demais a 21 anos por votação unânime dos quatro ministros da Primeira Turma do STF.
Wladimir Matos, que afirmou em um áudio que estava pronto para "matar meio mundo de gente" como parte do golpe e que Moraes deveria "ter tido a cabeça cortada", estava na sala e ouviu a decisão aparentando tranquilidade, constatou a AFP.
- Tiros e envenenamento -
Segundo o Supremo, a trama contemplava assassinar Moraes a tiros, enquanto Lula seria vitimado por "envenenamento" com medicamentos.
Outros cinco militares acusados de "táticas de pressão à Alta Cúpula das Forças Armadas" para consentir o golpe receberam penas de um ano e 11 meses a 17 anos.
A trama não se consumou por falta de apoio dos comandantes do Exército e da FAB (Força Aérea Brasileira).
A maioria dos condenados era parte dos Kids Pretos, as forças especiais do Exército.
Outros 14 ex-assessores de Bolsonaro, policiais e militares foram condenados no julgamento da trama golpista.
As decisões desta terça chegam enquanto o tribunal avança nas últimas etapas do caso de Bolsonaro.
Seu primeiro recurso foi rejeitado por unanimidade pelos juízes, uma decisão oficializada na sexta-feira.
Embora o ex-presidente, de 70 anos, possa apresentar outro recurso, este pode ser "rapidamente" recusado por Moraes, que então certificaria o final do julgamento, disse à AFP uma fonte da corte.
De acordo com os prazos judiciais, Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar preventiva desde agosto, poderia ser mandado para a prisão na última semana de novembro.
A.Ammann--VB