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Netanyahu ordena ataque imediato à Faixa de Gaza
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou, nesta terça-feira (28), que suas tropas ataquem imediatamente a Faixa de Gaza, após acusar o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos.
Após uma reunião de segurança, "o primeiro-ministro Netanyahu ordenou ao exército realizar imediatamente poderosos bombardeios na Faixa de Gaza", indicou um comunicado de seu gabinete, sem dar mais detalhes.
A porta-voz do governo, Shoh Bedrosian, afirmou anteriormente que tudo "está sendo feito em plena coordenação com os Estados Unidos, com o presidente [Donald] Trump e sua equipe".
Israel acusa o movimento islamista palestino Hamas de violar a trégua vigente desde 10 de outubro em Gaza, depois que o grupo devolveu os restos do refém Ofir Tzarfati, cujo corpo, em parte, já havia sido recuperado pelo exército israelense.
"Trata-se de uma violação flagrante do acordo", denunciou o gabinete de Netanyahu, referindo-se ao pacto negociado sob o patrocínio do presidente americano Donald Trump.
O Hamas, por sua vez, anunciou que adiaria a entrega a Israel - inicialmente prevista para as 18h GMT (15h de Brasília) - do corpo de outro refém, "encontrado em um túnel no sul de Gaza".
"Adiaremos a entrega prevista para hoje, por violações da ocupação", acrescentou o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezedin al-Qasam, e afirmou que "qualquer escalada sionista dificultará as buscas, as escavações e a recuperação dos corpos".
- "Quebrar suas pernas" -
Em virtude da primeira fase do acordo de cessar-fogo, o Hamas libertou em 13 de outubro os 20 reféns vivos que ainda mantinha em Gaza desde seu ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Também deveria entregar nesse mesmo dia os corpos de 28 cativos falecidos, mas até agora só restituiu 15, alegando dificuldades para localizá-los no território devastado pela ofensiva israelense em resposta ao ataque de 7 de outubro.
Segundo o Fórum das Famílias, principal associação israelense que luta pelo retorno dos reféns, parte dos restos de Ofir Tzarfati foram repatriados no final de 2023 e outros em março de 2024, antes de serem enterrados em Israel.
"É a terceira vez que temos que abrir o túmulo de Ofir e enterrá-lo novamente", lamentaram seus familiares.
O Fórum instou o governo de Netanyahu a "agir com firmeza" contra o Hamas por suas "violações" do acordo de trégua.
Para o ministro da extrema direita Itamar Ben Gvir, responsável pela Segurança Interna, o fato de "o Hamas continuar jogando e não entregar imediatamente todos os corpos" prova que "ainda está de pé". "É hora de quebrar suas pernas de uma vez por todas", concluiu.
Antes do anúncio israelense, o porta-voz do Hamas, Hazem Qasem, disse à AFP que seu movimento estava "decidido a entregar os corpos assim que forem localizados" e acrescentou que, em um território devastado por dois anos de combates, recuperá-los é "complexo e difícil".
Os Estados Unidos, aliado de Israel, ameaçaram várias vezes aniquilar o movimento palestino se este não cumprir seu compromisso de entregar todos os reféns.
O ataque de 7 de outubro em Israel causou a morte de 1.221 pessoas, em sua maioria civis, segundo balanço da AFP com base em números oficiais.
A retaliação israelense deixou 68.531 mortos na Faixa de Gaza, em sua maioria civis, segundo cifras do ministério da Saúde do Hamas.
W.Huber--VB