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COP30: ONGs denunciam 'ambivalência' do Brasil e falta de ambição e recursos
As ONGs da Rede de Ação Climática (RAC) denunciaram, nesta terça-feira (21), a "ambivalência" e a "hipocrisia" do Brasil, às vésperas da COP30, e exigiram maior ambição e recursos para abordar os desafios climáticos e cumprir com o Acordo de Paris.
"A presidência brasileira da COP30 se encontra em uma posição hipócrita", porque diz querer elevar as ambições climáticas, mas na segunda-feira (20) concedeu à Petrobras uma nova licença de exploração de petróleo na Amazônia.
"É absolutamente assombroso", declarou Fanny Petitbon, representante da ONG 350.org na França, durante uma coletiva de imprensa.
O Brasil, que é o anfitrião da COP30, "também mostra certa ambivalência no tema dos combustíveis fósseis", tema que abordou relativamente tarde nos preparativos do evento, enfatizou Gaïa Febvre, chefe de política internacional da RAC, que reúne 27 associações comprometidas com a luta contra a mudança climática e a promoção da justiça social.
"É necessário um despertar coletivo" sobre o multilateralismo diante do retrocesso internacional em matéria ambiental após a retirada dos Estados Unidos, que "ofusca" a diplomacia climática, segundo a RAC.
Esta COP30 deverá abordar a "falta de ambição, implementação e financiamento" de muitos países industrializados, 10 anos após o Acordo de Paris, cujo objetivo era limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC e, se possível, abaixo de 1,5ºC.
"O Acordo de Paris está funcionando" porque ajudou a "mudar a trajetória" para um aquecimento de cerca de 3ºC até o final do século, em vez de 4ºC, "mas ainda não é suficiente", enfatizou Febvre. "Não é uma varinha mágica, (...) deve ser implementado de verdade".
A COP30 também deve demonstrar que continua sendo "uma COP dos povos" após três COPs realizadas em países autoritários (Egito, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão), onde a sociedade civil não pôde se expressar, exige a RAC, que aposta na Cúpula dos Povos, que ocorrerá de 12 a 16 de novembro, para "reativar a mobilização" e exige uma maior consideração das necessidades e dos conhecimentos dos povos indígenas.
Outro tema em que as ONGs aguardam a posição da presidência brasileira é o financiamento climático.
"Este tema deve voltar à agenda" após a COP29, que aumentou o financiamento para os países em desenvolvimento para 300 bilhões de dólares (cerca de 1,6 trilhão de reais) anuais para 2035, mas deixou um "sabor amargo". "Quanto a este objetivo, ainda não sabemos quem financiará o quê; isso não está claro neste momento", afirma Lorelei Limousin, ativista climática do Greenpeace França.
Além disso, "recorrer ao financiamento privado não deveria ser a única resposta", acredita Limousin, que defende a implementação de um imposto sobre os lucros das indústrias de combustíveis fósseis para ajudar a financiar a transição nos países em desenvolvimento.
Por último, a questão da eliminação gradual dos combustíveis fósseis, levantada na COP28 em Dubai, mas descartada no ano passado em Baku, também deverá ser objeto de "sinais políticos" na COP30.
Dos aproximadamente 60 países que comunicaram seus planos climáticos para 2035, muitos manifestaram ambições para o desenvolvimento de energias renováveis, mas "nenhum tem um caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis", destaca Romain Ioualalen, da Oil Change International.
P.Staeheli--VB