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Trump afirma que trégua prossegue em Gaza apesar de ataques israelenses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (19) que o cessar-fogo entre Israel e Hamas continua em vigor, apesar dos ataques letais israelenses em Gaza motivados por supostas violações da trégua por parte do movimento islamista palestino.
Bombardeios recentes de Israel mataram 45 palestinos, segundo a agência de Defesa Civil do território governado pelo Hamas e devastado após mais de dois anos de guerra.
O governo de Israel, no entanto, afirmou no domingo que voltará a aplicar o cessar-fogo em Gaza.
O Exército de Israel, por sua vez, anunciou a morte de dois soldados em enfrentamentos em Rafah, no extremo sul desta faixa costeira, onde a população carece de mantimentos, água, remédios e combustível por meses de bloqueio israelense.
Após acusar o Hamas de violar o acordo de trégua que entrou em vigor em 10 de outubro, Israel suspendeu a entrada de ajuda humanitária ao território "até novo aviso", segundo um responsável israelense.
O movimento palestino negou essas acusações e disse que Israel estava inventando "pretextos" para "retomar" a guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul do território israelense.
Apesar das tensões, Trump afirmou que a trégua que ajudou a alcançar continua em vigor.
"Sim, está", respondeu Trump ao ser questionado por jornalistas se o cessar-fogo ainda estava em vigor.
O presidente americano sugeriu ainda que os líderes do Hamas não estavam vinculados a supostas violações da trégua e culpou "alguns rebeldes entre eles".
"Mas, de qualquer forma, será tratado adequadamente. Será tratado com firmeza, mas adequadamente", acrescentou Trump.
- Trégua prossegue -
As forças israelenses "continuarão mantendo o acordo de cessar-fogo", mas "responderão firmemente a qualquer violação", advertiu o Exército em um comunicado.
Na região de Bureij, alvo de bombardeios no centro de Gaza, Abdala Abu Hassanein mostrou-se preocupado. "É como se a guerra tivesse voltado. O sangue volta a ser derramado", disse o homem de 29 anos.
"Só passaram alguns dias desde o cessar-fogo, nem sequer tivemos tempo de respirar, e agora os bombardeios voltam com mais força", coincidiu Um Mohammed Abu Awda em Nuseirat, também no centro da faixa.
Imagens da AFP mostram palestinos correndo para um refúgio em Bureij. Também feridos e mortos sendo levados a um hospital de Deir al Balah, no centro do território.
O Exército israelense, que controla metade da faixa, afirmou que atingiu "dezenas de alvos terroristas do Hamas", incluindo armas e túneis, "em resposta à violação flagrante do cessar-fogo".
O Hamas, por sua vez, afirmou não ter "conhecimento de nenhum incidente ou enfrentamento na região de Rafah" e reafirmou seu compromisso com o cessar-fogo.
Os confrontos eclodiram enquanto Netanyahu mantinha reuniões com parte de seu gabinete. Alguns ministros reagiram imediatamente, como o titular de Finanças, Bezalel Smotrich, que escreveu "Guerra!" na rede X.
Dadas as restrições impostas aos meios de comunicação em Gaza e as dificuldades de acesso sobre o terreno, a AFP não pode verificar de forma independente as informações proporcionadas por ambas as partes.
- Hamas encontra corpo de outro refém -
Os bombardeios acontecem enquanto se espera que o enviado de Trump, Steve Witkoff, visite o Oriente Médio na próxima semana para monitorar a trégua, sob a qual o Hamas libertou na semana passada os 20 reféns que seguiam em Gaza em troca de quase 2.000 prisioneiros palestinos.
O pacto, negociado indiretamente por Hamas e Israel no Egito, também inclui o retorno dos restos mortais dos reféns mortos. O grupo palestino devolveu até agora 12 dos 28 cadáveres em questão.
O Hamas anunciou neste domingo que encontrou o corpo de um novo refém e se comprometeu a entregá-lo a Israel "se as condições permitirem".
O ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel provocou a morte de 1.221 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais.
A ofensiva israelense deixou 68.159 mortos no território palestino, também civis em sua maioria, segundo os números do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
As autoridades locais calculam que há quase 10.000 corpos sob os escombros.
L.Stucki--VB