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Hamas recupera terreno em Gaza, aproveitando a trégua com Israel
O Hamas se empenha, nesta terça-feira (14), para voltar a impor seu controle nas regiões de Gaza de onde o exército israelense se retirou, à espera de novas negociações sobre o plano promovido pelos Estados Unidos, que prevê excluir o grupo islamista palestino do governo do território.
Na chegada de ônibus lotados de prisioneiros libertados das prisões israelenses a Gaza, na segunda-feira, combatentes das Brigadas Ezzedine Al-Qassam, braço armado do Hamas, se encarregaram de controlar a multidão.
No norte, após a retirada das forças israelenses da Cidade de Gaza, a polícia do território, governado pelo Hamas, retomou as patrulhas nas ruas com agentes usando máscaras pretas.
Enquanto isso, uma unidade de segurança do movimento islamista iniciou operações contra clãs e grupos armados, alguns dos quais supostamente contariam com o apoio de Israel.
"Houve intensos confrontos, que ainda continuam neste momento, como parte dos esforços para eliminar colaboradores", afirmou Yahya, uma testemunha que pediu para não ter seu nome completo revelado, temendo represálias.
- Explosões e detenções -
Mohammed, outro morador de Gaza que não quis revelar seu nome completo, disse à AFP que "durante longas horas esta manhã houve confrontos intensos entre as forças de segurança do Hamas e membros da família Hilles".
"Ouvimos disparos intensos e explosões, e as forças de segurança detiveram alguns deles. Nós apoiamos isso", afirmou.
Os combates ocorreram em Shujaiya, a leste da Cidade de Gaza, perto da chamada Linha Amarela, atrás da qual as unidades israelenses seguem controlando cerca de metade do território.
Uma fonte da segurança palestina em Gaza declarou à AFP que o corpo de segurança do Hamas, uma unidade criada recentemente, cujo nome se traduz como "Força de Dissuasão", estava realizando "operações de campo para garantir a segurança e a estabilidade".
O Hamas acusou Israel de romper a trégua, ao abrir fogo durante os enfrentamentos. O exército israelense afirmou que só atirou quando palestinos não identificados se aproximaram da Linha Amarela.
"Tentou-se afastar os suspeitos", informou um comunicado militar, acrescentando que estes "continuaram se aproximando das tropas, que abriram fogo para eliminar a ameaça".
O Hamas tem sido a facção palestina dominante em Gaza desde 2007, quando derrotou seu adversário, o Fatah, em confrontos armados.
Israel insiste em que o Hamas não pode ter nenhum papel em um futuro governo de Gaza e deve se desarmar.
O plano para Gaza do presidente americano, Donald Trump, estabelece que os membros do Hamas que aceitarem "depor suas armas" serão anistiados.
O documento, apoiado pelas potências mundiais em uma cúpula na segunda-feira presidida por Trump no Egito, também estabelece que Gaza será desmilitarizada e que o Hamas não terá nenhum papel de liderança.
- "Pequena melhora" -
Para muitos palestinos, que nesta terça-feira reconstruíam seus lares e suas vidas em meio aos escombros, a presença dos milicianos do Hamas era tranquilizadora.
Após a mobilização da polícia, "começamos a nos sentir seguros", afirmou Abu Fadi al Banna, de 34 anos, em Deir al Balah, no centro de Gaza.
"Começaram a organizar o trânsito e a desobstruir os mercados (...) Nos sentimos protegidos dos delinquentes e dos ladrões", declarou.
Hamdiya Shammiya, de 40 anos, que devido aos combates teve que se deslocar do norte para a cidade Khan Yunis, no sul, concordou.
"Nossas vidas precisam agora de paciência, ordem e da segurança que a polícia começou a restabelecer. Já notamos uma pequena melhora", declarou à AFP.
Em Israel, as famílias dos reféns aumentaram a pressão para que o Hamas devolva os restos mortais dos 24 falecidos que ainda estão em Gaza, como determina o acordo de cessar-fogo negociado sob os auspícios dos Estados Unidos.
Após o acordo, que entrou em vigor na sexta-feira, 20 reféns vivos voltaram em meio a cenas de alegria, e os restos mortais de outros quatro foram devolvidos.
O exército informou, em um comunicado, ter identificado as quatro vítimas e indicou que duas delas eram Guy Iluz, cidadão israelense, e Bipin Joshi, um estudante nepalês de agricultura.
Os nomes dos outros dois ainda não foram revelados a pedido de suas famílias, acrescentou.
Por outro lado, os restos mortais de 45 palestinos entregues por Israel no marco do acordo chegaram a Khan Yunis, anunciou na tarde desta terça-feira (hora local) o hospital Nasser, situado nesta grande cidade do sul da Faixa de Gaza.
burs-dc/jd/ser/hgs/pb/mvv/aa
A.Kunz--VB