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Venezuela colocou armas 'nas mãos do povo' diante de ameaças dos EUA, diz ministro
A Venezuela decidiu colocar as armas "nas mãos do povo" para enfrentar uma eventual incursão dos Estados Unidos no país, declarou nesta segunda-feira (13) o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
Os Estados Unidos enviaram em agosto navios e aviões de guerra ao Caribe sob o argumento de uma operação antidrogas. O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denuncia essas manobras como uma agressão que busca promover uma mudança de regime para se apoderar do petróleo.
"De acordo com esta Constituição [da Venezuela], o monopólio das armas pertence ao Estado; o Estado decidiu que as armas do país, do Estado, estejam nas mãos do povo, para sua proteção", afirmou Cabello durante uma coletiva de imprensa do governista Partido Socialista Unido da Venezuela.
"E é isso que temos feito", acrescentou Cabello, que também é vice-presidente do partido. "Estamos em uma fase de agressão (...) de cerco", assegurou.
O presidente republicano Donald Trump justificou o uso do "poderio militar" dos Estados Unidos na luta contra cartéis que ele vincula a Maduro.
O mandatário venezuelano nega as acusações e, em contrapartida, afirma que a Venezuela está sendo submetida à "ameaça militar mais letal e extravagante da história".
Diante da presença militar americana, Maduro ordenou exercícios permanentes e convocou o alistamento militar de civis, que estão sendo instruídos no manejo de fuzis.
Forças militares dos Estados Unidos destruíram pelo menos quatro embarcações de supostos narcotraficantes, resultando em 21 mortos. Caracas classificou o bombardeio dessas pequenas lanchas como "execuções extrajudiciais" e uma "sentença de morte" em alto-mar.
Na sexta-feira, a Venezuela solicitou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que impeça os Estados Unidos de cometer um "crime internacional". Segundo Caracas, o governo Trump busca "fabricar um conflito" para justificar uma invasão.
T.Suter--VB