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Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta 6ª feira a pedido da Venezuela
O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para a tarde desta sexta-feira (10), em Nova York, a pedido da Venezuela, que denuncia uma "escalada de agressões" pela mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe.
O pedido de Caracas foi apoiado por China e Rússia, membros permanentes do Conselho e dois de seus principais aliados internacionais, confirmou à AFP uma fonte diplomática.
A Venezuela pediu a reunião ao advertir "que as ações dos Estados Unidos nas últimas semanas, que incluem contratorpedeiros de mísseis, aviões de combate, tropas de elite e um submarino nuclear perto da costa venezuelana, colocam em claro perigo a zona de paz na América Latina e no Caribe".
Caracas "solicitou formalmente uma reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ante a grave escalada de agressões e a mobilização militar sem precedentes dos Estados Unidos no Caribe", indicou a chancelaria.
Em 23 de setembro, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente americano Donald Trump disse que os Estados Unidos utilizam o seu poderio militar para destruir supostas redes do tráfico de drogas que ele vincula ao presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O dirigente chavista, por outro lado, atribui essas acusações a um plano para buscar uma mudança de regime na Venezuela e se apoderar das enormes reservas de petróleo do país.
As forças militares americanas no Caribe destruíram pelo menos quatro lanchas de supostos traficantes, com um saldo de 21 mortos. Caracas denuncia que as operações americanas são o mesmo que uma "pena de morte" em alto-mar.
Trump disse que os ataques foram tão bem-sucedidos que "não há mais barcos" nessa área do Caribe.
Em resposta à presença militar americana no Caribe, que é vista como uma ameaça de invasão por Caracas, Maduro ordenou exercícios militares permanentes e convocou a população a se alistar na reserva.
Meios de comunicação e fontes próximas ao poder em Washington preveem ataques iminentes contra o território venezuelano.
- 'Uma ameaça para a paz' -
Na carta com o pedido de reunião, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, denunciou "a escalada de eventos que ocorreram nas últimas semanas no Caribe e que, por sua gravidade, claramente colocam em perigo a paz, a segurança e a estabilidade regional e internacional".
O propósito da reunião será "discutir sobre esta questão, determinar a existência de uma ameaça para a paz e formular recomendações para frear os planos de agressão", diz o texto.
No fim de setembro, a Casa Branca rejeitou a oferta de diálogo do presidente Maduro, que garante que a Venezuela luta contra o tráfico de drogas e que apenas uma ínfima parte da droga colombiana passa por seu território.
Trump tenta passar a impressão de que os Estados Unidos estão envolvidos em um "conflito armado" contra os cartéis do narcotráfico, segundo um informe enviado pelo Pentágono ao Congresso, destinado a respaldar legalmente as operações recentes de Washington nas imediações da Venezuela.
Juristas destacam que esses ataques carecem de marco jurídico e, para o governo Trump, essa declaração oficial busca servir como justificativa legal para as operações realizadas nas proximidades da Venezuela.
Na segunda-feira, a Venezuela alertou os Estados Unidos sobre um plano para plantar "explosivos" em sua embaixada em Caracas.
As relações diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos foram rompidas em janeiro de 2019, restando apenas alguns funcionários para cuidar das instalações. A comunicação entre os dois países acontece por meio de delegados.
Maduro disse que um "grupo terrorista local" planejava plantar uma carga explosiva para uma "operação de bandeira falsa" que buscava "iniciar uma escalada de confronto". O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, disse ontem que ex-militares venezuelanos nos Estados Unidos estariam ligados ao suposto plano.
Além disso, o governante chavista revelou esta semana, que enviou uma carta ao papa Leão XIV para que "ajude a Venezuela a preservar e a conquistar a paz".
"O que querem é uma guerra no Caribe e na América do Sul para uma mudança de regime, com o objetivo de impor um governo-fantoche e roubar petróleo, gás, ouro", denunciou Maduro.
M.Vogt--VB