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Governo israelense aprova 1ª fase do acordo de cessar-fogo em Gaza
O governo israelense aprovou, nesta sexta-feira (10, data local), a primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns, com o objetivo de encerrar dois anos de uma guerra com o movimento islamista Hamas que devastou o território palestino.
Este acordo, alcançado no Egito, foi trabalhado a partir de um plano de 20 pontos apresentado pelo presidente americano, Donald Trump, e prevê uma troca dos reféns em poder do Hamas por cerca de 2 mil palestinos em prisões israelenses.
"O governo acaba de aprovar o quadro para a libertação de todos os reféns, tanto os vivos quanto os mortos", informou o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em comunicado.
Durante um ataque sem precedentes em 7 de outubro de 2023, fato que desencadeou a guerra, o Hamas sequestrou 251 pessoas em Israel e as levou para Gaza. Pelo menos 47 permanecem retidas lá, incluídas 25 que teriam morrido, segundo o Exército israelense.
A libertação desses reféns "deveria pôr fim à guerra", assegurou mais cedo o chanceler israelense, Gideon Saar, enquanto o negociador-chefe do Hamas, Khalil al Hayya, disse ter obtido "garantias dos mediadores irmãos e da administração dos Estados Unidos confirmando que a guerra chegou ao fim".
"O que aconteceu hoje é um momento histórico", considerou, por sua vez, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em uma incomum entrevista concedida a um canal de televisão de Israel, na qual expressou seu desejo de "paz, segurança e estabilidade" entre palestinos e israelenses.
Segundo a porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, todas as partes já assinaram, no Egito, a versão final do pacto para a primeira fase do plano, após negociações indiretas na cidade turística de Sharm el-Sheikh, com mediação de Estados Unidos, Catar e Turquia.
Em Khan Yunis, no sul da devastada Faixa de Gaza, palestinos aplaudiram e gritaram de alegria quando o acordo foi anunciado, segundo imagens da AFP.
"Apesar de todos os mortos e da perda de entes queridos, hoje estamos felizes após o cessar-fogo. Apesar da tristeza e de tudo", afirmou Aiman al Najar.
Na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, as pessoas também se abraçavam e se felicitavam com a esperança do retorno dos cerca de 20 sequestrados que ainda estão vivos.
Netanyahu exaltou o que chamou de "grande dia para Israel" e declarou que Trump deveria receber o Prêmio Nobel da Paz.
- Possível visita de Trump -
Ainda persiste a incerteza sobre outros pontos levantados por Trump, como o desarmamento do Hamas e o fato de Gaza ser governada por uma autoridade de transição liderada por ele próprio, uma possibilidade rechaçada pelo movimento islamista.
O presidente americano anunciou que tentará viajar ao Egito para a assinatura do acordo de cessar-fogo, após ser convidado por seu colega Abdel Fattah al Sissi.
"Os reféns voltarão na segunda ou na terça-feira. Provavelmente estarei lá. Espero estar lá", garantiu.
Além disso, ressaltou que "ninguém será obrigado a deixar" Gaza.
Funcionários de Washington informaram que um grupo de 200 militares americanos será enviado ao Oriente Médio para supervisionar a trégua. Junto com eles, haverá também militares egípcios, cataris, turcos e, provavelmente, emiradenses, indicaram altos oficiais à imprensa.
As negociações para a segunda fase do plano de Trump devem começar "imediatamente" depois da assinatura do acordo sobre a primeira etapa, anunciou um responsável do Hamas.
O pacto busca encerrar dois anos de guerra em Gaza, um conflito que começou com o ataque do Hamas de 2023 em território israelense, que resultou na morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP feito com base em dados oficiais.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que devastou Gaza e já deixou pelo menos 67.194 mortos, de acordo com os números do Ministério da Saúde do governo do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
– Bombardeios continuam –
Após o anúncio, a Defesa Civil de Gaza reportou novos bombardeios israelenses.
Na noite de quinta-feira, jornalistas da AFP e testemunhas disseram que ainda era possível ouvir explosões e disparos de artilharia no centro e no sul do território palestino.
Assim como Trump, o presidente egípcio Al Sissi havia pedido a Israel "a distensão ou o cessar-fogo" até a assinatura do acordo para não comprometer seu "espírito".
Por sua vez, o Exército israelense anunciou que prepara a retirada de suas tropas do território palestino, do qual controla aproximadamente 75%.
O Crescente Vermelho egípcio afirmou que 153 caminhões já estavam a caminho.
Quase uma em cada seis crianças sofre de desnutrição aguda em Gaza devido à guerra, concluiu um estudo publicado na revista The Lancet e financiado pela Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês).
A.Ruegg--VB