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Israel e Hamas negociam no Egito fim da guerra em Gaza sob plano de Trump
Delegações de Hamas e Israel vão continuar, nesta terça-feira (7), as negociações indiretas no Egito para encerrar quase dois anos de guerra em Gaza, segundo o plano do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que considera que o movimento islamista palestino está pronto para aceitar suas propostas para um acordo.
A primeira rodada de negociações sobre Gaza entre o Hamas e os mediadores terminou no Egito em meio a uma "atmosfera positiva", informou na manhã de terça-feira, em horário local, um meio de comunicação ligado ao Estado egípcio.
A Al Qahera News, vinculada a inteligência estatal egípcia, informou que as conversas continuarão na terça-feira entre o Hamas e os mediadores na cidade turística de Sharm el-Sheikh, à qual uma delegação israelense chegou nesta segunda-feira.
A emissora havia informado anteriormente que as delegações estavam conversando "para preparar as condições prévias para a libertação de cativos e prisioneiros".
Mediadores de Egito e Catar estão trabalhando com ambas as partes para estabelecer um mecanismo de libertação dos reféns israelenses em Gaza em troca de palestinos presos em Israel.
As negociações indiretas têm como objetivo finalizar os detalhes do plano depois de dois anos de conflito, que eclodiu após o ataque sem precedentes do Hamas ao território israelense em 7 de outubro de 2023.
Os principais pontos em aberto da proposta de Trump são o desarmamento do Hamas, sua saída do governo de Gaza e a retirada das forças israelenses do território palestino.
Trump disse nesta segunda que está "quase certo" de que um acordo será alcançado. "Acho que estamos indo muito bem e que o Hamas está aceitando coisas muito importantes [...] acho que vamos alcançar um acordo", acrescentou.
"Tenho linhas vermelhas. Se certas questões não forem cumpridas, não vai acontecer", garantiu Trump a jornalistas no Salão Oval.
Khalil Al-Hayya, negociador-chefe do Hamas, que foi alvo de um ataque israelense em Doha, no Catar, em setembro, teve uma reunião com funcionários de inteligência do Egito antes das conversas, disse uma fonte de segurança desse país árabe.
Mirjana Spoljaric, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que coordenou trocas anteriores, disse hoje que suas equipes estão preparadas "para ajudar a reunir reféns e prisioneiros com suas famílias".
O enviado dos Estados Unidos para a região, Steve Witkoff, e o genro do presidente americano, Jared Kushner, são esperados no Egito.
Trump instou os negociadores a "agirem rápido" para acabar com a guerra em Gaza, onde os ataques israelenses continuaram na segunda-feira.
- Explosões em Gaza -
Apesar de Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, instarem Israel a interromper os bombardeios no território, imagens da AFP mostram explosões em Gaza nesta segunda-feira, com colunas de fumaça no horizonte.
Pelo menos sete palestinos morreram nos últimos ataques aéreos israelenses, segundo Mahmoud Bassal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza.
"Houve uma clara redução no número de bombardeios aéreos. Tanques e veículos militares recuaram um pouco, mas acho que se trata de uma manobra tática e não de uma retirada", disse à AFP no domingo Muin Abu Rajab, de 40 anos, morador de Gaza.
Durante o ataque sem precedentes de 7 de outubro de 2023, combatentes do Hamas sequestraram 251 pessoas, das quais 47 seguem como reféns em Gaza. Entre elas, 25 estariam mortas, segundo o Exército israelense.
De acordo com o plano de Trump, em troca dos reféns, Israel deve libertar 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e mais de 1.700 pessoas capturadas durante a guerra na Faixa de Gaza.
- Nenhum papel para o Hamas -
Segundo sua proposta, a administração do território palestino caberia a um órgão liderado por tecnocratas e supervisionado por uma autoridade de transição chefiada pelo próprio Trump.
O ataque de 7 de outubro resultou na morte de 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo um balanço da AFP feito com base em dados oficiais.
Por outro lado, a ofensiva de retaliação israelense já matou pelo menos 67.160 pessoas em Gaza, também civis em sua maioria, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
burs/csp/pc/meb/jc/aa/dd/mvv/lm/rpr
M.Vogt--VB