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Troca de acusações por incêndios marca o novo rumo político na Espanha
A gestão dos incêndios na Espanha domina o retorno da política nacional após o recesso, com trocas de acusações entre o governo de esquerda e o Partido Popular conservador, à frente das regiões mais afetadas pelas chamas.
Este imbróglio soma-se a outros como os supostos casos de corrupção ligados ao entorno do primeiro-ministro, Pedro Sánchez.
Os socialistas no poder culpam os conservadores do PP por negarem a mudança climática e negligenciarem as políticas contra o fogo.
Os conservadores, que governam Castilla y León, Galícia e Extremadura, atribuem os incêndios a criminosos e acusam o governo central de faltar com recursos, como os do Exército, embora a unidade militar de emergências tenha atuado em todos os de grande porte.
Nos incêndios e catástrofes, a entidade "competente é a comunidade autônoma, e não é cabível que nesse momento não esteja presente e assumindo a frente", disse à TVE nesta quarta-feira Ángel Víctor Torres, ministro da Política Territorial, responsável pelas relações com as regiões.
Em vez disso, acrescentou Torres, "aparece o líder da oposição e o que faz não é ajudar, mas apontar" para o governo central, "quando, na verdade, falamos de uma competência autônoma".
- Incêndios criminosos -
Torres aludiu ao líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, que na segunda-feira apresentou medidas como a criação de um "registro nacional de autores de incêndios criminosos", em resposta ao plano contra a "emergência climática" proposto por Sánchez.
Os incêndios florestais continuam, principalmente no noroeste, após matarem quatro pessoas e devastar a maioria dos 415.000 hectares que queimaram na Espanha este ano, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS). Já é um recorde anual desde que começaram estes registros em 2006.
"Quando não se investiu em prevenção" de incêndios, não adianta "dizer 'ah, bem, o Exército vai chegar'", acusou nesta quarta-feira a ministra da Defesa, Margarita Robles, na rádio Cadena Ser. "Muitas comunidades autônomas governadas pelo Partido Popular não o fizeram".
A porta-voz do PP, Ester Muñoz, disse que quando solicitados meios para combater uma catástrofe, "a resposta de um governo sério é me diga onde e quando levo os recursos, e não que não tem competência".
- Sánchez e a frente judicial -
O debate repete o que ocorreu após as inundações em Valência, que deixaram mais de 200 mortos em outubro de 2024 em uma região governada pelo PP.
Na Espanha, o combate a catástrofes é responsabilidade das comunidades autônomas, que, dependendo da gravidade, podem gerenciá-las sozinhas, solicitar ajuda ao Estado - como nos incêndios - ou delegar totalmente a resposta ao Governo central, caso estejam sobrecarregadas.
Sánchez, em minoria parlamentar e apoiado por partidos divergentes, com os quais quase não consegue obter aprovações, tem seu entorno bastante envolvido no cenário judicial.
Seu ex-número três, Santos Cerdán, está em prisão preventiva por um caso de subornos em obras públicas que também implica o ex-ministro dos Transportes, José Luis Ábalos.
Além disso, sua esposa é acusada de tráfico de influências e peculato, por supostamente se beneficiar de sua posição pública em sua vida profissional.
L.Maurer--VB