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Irã afirma que enviará em breve sua proposta aos EUA sobre programa nuclear
O Irã anunciou, nesta segunda-feira (9), que em breve apresentará sua proposta aos Estados Unidos para um acordo sobre seu programa nuclear, após criticar a oferta de Washington.
Os Estados Unidos e o Irã iniciaram em abril uma negociação para alcançar um novo acordo que garanta que o programa nuclear de Teerã tenha fins civis, em troca do levantamento das sanções.
Os dois países, que são inimigos desde a Revolução Islâmica de 1979 e não mantêm relações diplomáticas, realizaram cinco ciclos de conversas graças à mediação de Omã.
"Em breve iremos propor nosso próprio plano à outra parte, através de Omã. É uma proposta razoável, lógica e equilibrada, e recomendamos energicamente que a parte americana aproveite esta oportunidade", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, em sua coletiva de imprensa semanal.
Baqai criticou a proposta americana, afirmando que "carece de elementos", sem dar mais detalhes.
Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que recebeu uma proposta dos Estados Unidos, que considerou conter "muitas ambiguidades".
Não se conhece o conteúdo da proposta dos Estados Unidos, mas, no domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Bagher Ghalibaf, afirmou que ela não incluía o levantamento das sanções.
Os dois países buscam substituir o pacto histórico de 2015 entre Teerã e as potências mundiais, que estabeleceu restrições às atividades nucleares do Irã em troca de um alívio das sanções econômicas.
Em 2018, os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do acordo durante o primeiro mandato de Donald Trump.
Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, e também Israel, inimigo declarado do Irã, acusam Teerã de querer desenvolver armas nucleares.
O Irã nega que tenha objetivos militares e defende seu direito a um programa nuclear civil, sobretudo para a produção de energia.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) iniciou nesta segunda-feira, em Viena, uma reunião da junta de governadores que se prolongará até sexta-feira para debater, entre outros temas, as atividades nucleares do Irã.
O diretor desta agência da ONU, o diplomata argentino Rafael Grossi, pediu ao Irã que coopere com o organismo.
"Faço um apelo urgente ao Irã para que coopere plena e eficazmente" com a AIEA, disse Grossi. "A menos que o Irã ajude o organismo a resolver as questões pendentes em matéria de salvaguardas, a agência não estará em condições de garantir que o programa nuclear do Irã seja exclusivamente pacífico".
L.Wyss--VB