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Rubio afirma que EUA permanecerá na Otan, mas pede que países aumentem gastos em defesa
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, garantiu nesta quinta-feira (3), em Bruxelas, que os Estados Unidos permanecerão na Otan, mas pediu que os países da aliança destinem 5% do PIB ao setor de defesa.
Rubio participa de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan e tenta dissipar as crescentes dúvidas entre os países da aliança militar sobre o compromisso de Washington.
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos criticou a "histeria" e a "hipérbole" sobre o afastamento de Washington dos demais países da Otan e disse que o governo de Donald Trump deseja uma aliança "mais forte e viável".
De acordo com Rubio, Trump "deixou claro que apoia a Otan. Vamos continuar na Otan. Mas queremos que a Otan seja mais forte, que seja mais viável".
Trump não é contrário à Otan, e sim a "uma Otan que não tenha as capacidades que precisa para cumprir com as obrigações que o Tratado (constitutivo da aliança militar) impõe a todos e a cada um dos Estados-membros", disse.
Por isso, Rubio disse que seu país espera que a reunião permita identificar um "caminho realista" para que todos os países da aliança se comprometam a destinar 5% de seu PIB para a defesa.
"Ninguém espera que todos o façam em um ano ou dois. Mas o caminho tem que ser real", insistiu.
As declarações de Rubio tentam tranquilizar os diplomatas dos países da Otan, que já anunciaram a intenção de ampliar seus gastos militares, como a Casa Branca exige.
Há vários anos, a Otan estabeleceu como meta que os países integrantes investissem 2% do PIB na defesa, mas após a invasão russa da Ucrânia, o objetivo se tornou "pelo menos 2%", passando de um teto para ser considerado um piso mínimo.
Trump, no entanto, passou a exigir que os países aumentem os gastos militares para 5% de cada PIB nacional, uma meta politicamente inalcançável para a maioria dos países da aliança.
- Países podem "fazer mais" -
Rubio disse nesta quinta-feira que a Otan é formada por "economias avançadas, países ricos que têm a capacidade de fazer mais".
Antes da reunião, o secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, reafirmou a permanência dos Estados Unidos na aliança e afirmou que Washington não tem planos de retirar suas tropas da Europa.
"Não há planos para que eles reduzam subitamente sua presença aqui, na Europa", declarou Rutte na sede da organização, embora tenha admitido que os Estados Unidos têm que atender a "mais de um cenário".
"Sabemos que os Estados Unidos, sendo a superpotência que são, têm que atender a mais de um cenário", comentou.
A questão do aumento nos gastos militares é um ponto central na relação dos países da Otan com os Estados Unidos, mas não o único.
Em fevereiro, o secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, disse aos países europeus que, a partir de então, deveriam assumir a segurança do continente.
Um ponto crítico na relação é a aproximação dos Estados Unidos com a Rússia para discutir a situação na Ucrânia, em um diálogo que exclui os europeus, inclusive os aliados no âmbito da Otan.
Os países europeus querem que Washington adote uma postura mais rígida com Moscou. Em particular, querem evitar que a Ucrânia seja forçada a fazer concessões territoriais para o fim das hostilidades.
A visita de Rubio e o início da reunião na Otan, no entanto, acontecem apenas um dia depois de Trump ter abalado o mundo ao anunciar tarifas universais para importações, inclusive de parceiros comerciais tradicionais dos Estados Unidos.
Os diplomatas tentavam, nesta quinta-feira, separar a escalada global de tensões comerciais e a discussão interna da Otan.
"É preciso entender que crescemos melhor e mais rápido estando juntos e que, se queremos construir recursos para uma defesa mais poderosa, precisamos de crescimento econômico. O protecionismo não faz bem a ninguém", disse o chanceler norueguês, Espen Barth Eide.
H.Weber--VB