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EUA prevê novas negociações com o Irã, Trump pressiona por sanções
Os Estados Unidos declararam nesta quinta-feira (1º) que preveem manter novas conversas nucleares com o Irã em breve, embora o presidente Donald Trump tenha prometido impor sanções e tenha instado a um boicote global ao petróleo e aos petroquímicos iranianos.
Teerã afirmou que uma quarta rodada de conversas com a administração Trump, prevista para este fim de semana em Roma, havia sido adiada.
Omã, que tem atuado como mediador entre os antigos adversários, atribuiu o adiamento a "razões logísticas".
No entanto, em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, afirmou que a data e o local da reunião nunca haviam sido definidos.
"Outra rodada de conversas será realizada em breve", declarou à imprensa.
Trump, que rompeu um acordo nuclear anterior em 2018, expressou a esperança de alcançar um novo pacto para resolver preocupações e evitar a possibilidade de um ataque militar israelense contra o Irã.
No entanto, ao retornar ao cargo, prometeu exercer "pressão máxima", mas afirmou que o fazia a contragosto, a pedido de conselheiros linha-dura.
O Irã exige o alívio das amplas sanções impostas por Trump durante seu primeiro mandato, incluindo a tentativa dos Estados Unidos de proibir todos os países de comprarem petróleo iraniano.
Trump prometeu aplicar a medida nesta quinta-feira, um dia após os Estados Unidos imporem sanções a sete empresas acusadas de transportar produtos petrolíferos de origem iraniana.
"Todas as compras de petróleo ou produtos petroquímicos iranianos devem cessar já!", escreveu ele em sua plataforma Truth Social. "Qualquer país ou pessoa que compre qualquer quantidade de petróleo ou produtos petroquímicos do Irã estará sujeito, de imediato, a sanções secundárias", escreveu.
Na quarta-feira, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, advertiu o Irã nas redes sociais sobre seu apoio aos insurgentes huthi do Iêmen, que estão sendo alvos de ataques aéreos americanos devido aos lançamentos de mísseis no Mar Vermelho em solidariedade aos palestinos.
"Vocês sabem muito bem do que as Forças Armadas dos Estados Unidos são capazes, e foram avisados. Pagarão as consequências no momento e lugar que escolhermos", escreveu Hegseth.
- "Falta de boa vontade" -
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o que chamou de "abordagem contraditória dos responsáveis americanos e sua falta de boa vontade e seriedade para avançar na via diplomática".
As sanções marcam a mais recente tentativa dos Estados Unidos de "perturbar as relações amistosas e legais entre países em desenvolvimento por meio do terrorismo econômico", declarou.
Steve Witkoff, sócio comercial de Trump que se tornou seu enviado especial, tem liderado as conversas e expressado otimismo sobre o clima com os iranianos.
Witkoff havia insinuado anteriormente uma maior flexibilidade nas negociações, mas o secretário de Estado, Marco Rubio, agora também assessor de segurança nacional de Trump, tem insistido que o objetivo é o desmantelamento completo do programa iraniano.
Numerosos observadores iranianos acreditam que Teerã nunca abrirá mão de seu programa por completo, e o acordo anterior de 2015, negociado durante a presidência de Barack Obama, abriu caminho para um programa nuclear civil limitado.
O acordo de 2015 incluía Rússia, China e três potências europeias (Grã-Bretanha, França e Alemanha), que tentaram sem sucesso convencer Trump a não denunciá-lo.
As potências europeias também planejavam se reunir com o Irã em nível técnico na sexta-feira, antes das conversas entre os Estados Unidos e o Irã, mas o encontro foi suspenso.
"Dado que essa reunião não acontecerá, a reunião técnica já não é relevante, pelo menos por enquanto", declarou à AFP o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, durante uma visita a Washington.
Os governos ocidentais há muito tempo acusam o Irã de tentar adquirir capacidade nuclear, uma alegação que Teerã nega sistematicamente, insistindo que seu programa tem apenas fins pacíficos.
burs-sct/sla/dg/nn/am
R.Buehler--VB