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Avançam preparativos para entrega de ajuda por mar à Gaza, que segue sendo bombardeada
Um primeiro navio carregado com ajuda humanitária está pronto para partir do Chipre rumo à Faixa de Gaza, assolada pela fome, e onde bombardeios israelenses deixaram dezenas de vítimas neste sábado (9), segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
Após cinco meses de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino, a desastrosa situação humanitária neste estreito território levaram diversos países árabes e ocidentais a iniciarem lançamentos aéreos de ajuda humanitária.
Contudo, uma falha em um paraquedas provocou a morte de cinco palestinos na sexta-feira. Outras 10 pessoas ficaram feridas.
Jordânia e Estados Unidos negaram que seus aviões tenham causado as mortes. Bélgica, Egito, França e Países Baixos também lançam ajuda ao território sitiado.
No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a partir de domingo espera a abertura de um corredor marítimo que permita transportar ajuda do Chipre à Gaza, cuja distância é de 370 quilômetros.
A associação humanitária americana World Central Kitchen, fundada pelo chef espanhol José Andrés, indicou na sexta-feira que estava carregando ajuda no navio da ONG Open Arms, também espanhola, no porto cipriota de Lárnaca.
"Nosso rebocador está pronto para zarpar (...), com toneladas de alimentos, água e suprimentos essenciais a bordo", escreveu a Open Arms na rede social X.
- "Porto provisório" -
Esta semana, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já havia anunciado a construção de um "porto provisório" na costa de Gaza para permitir a entrada de ajuda.
A construção levará até 60 dias e exigirá a participação de mais de 1.000 militares. O porto temporário "poderá fornecer mais de dois milhões de refeições por dia aos cidadãos de Gaza", afirmou o Pentágono.
Biden instou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a permitir a entrega de mais ajuda humanitária.
O conflito se desencadeou quando os combatentes do Hamas atacaram o sul de Israel em 7 de outubro e mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP com base em números oficiais israelenses.
Os combatentes também sequestraram cerca de 250 pessoas. Israel estima que 130 ainda estão retidas em Gaza, das quais 31 teriam falecido.
Em resposta, Israel lançou uma operação aérea e terrestre em Gaza, que já deixou pelo menos 30.960 mortos, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
"Ninguém pode nos levar a classificar o Hamas como uma organização terrorista", declarou neste sábado o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmando que seu país "apoia firmemente" os líderes islamistas.
No terreno, os bombardeios israelenses não cessam. O Ministério da Saúde de Gaza relatou que 70 corpos foram levados para hospitais após ataques noturnos.
A assessoria de imprensa do grupo islamista reportou mais de 30 bombardeios durante a noite na Faixa, um deles contra um prédio residencial onde cerca de 200 pessoas se refugiavam em Rafah, no extremo sul do território.
O Exército israelense afirmou, por sua vez, que realizou ataques direcionados no dia anterior em Gaza e matou mais de 20 combatentes em Khan Yunis, no sul.
- Crianças mortas de fome -
Israel impõe um "cerco total" ao território palestino desde 9 de outubro, permitindo a entrada à conta-gotas de caminhões de ajuda procedentes do Egito.
A ONU, que insiste que as entregas por ar ou mar não podem substituir as terrestres, adverte que 2,2 milhões dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza estão à beira da fome.
Pelo menos 23 civis morreram de desnutrição e desidratação, segundo o Ministério da Saúde do Hamas em um novo balanço, após a morte de outras três crianças.
Cerca de 1,7 milhão de moradores de Gaza permanecem deslocados devido à guerra, acrescentou o ministério.
Os mediadores no conflito — Estados Unidos, Catar e Egito — tentaram esta semana no Cairo alcançar um acordo para um cessar-fogo antes do início do ramadã, mês sagrado para os muçulmanos que começa no domingo (10) ou na segunda-feira (11), de acordo com o calendário lunar.
Entretanto, Biden reconheceu que "parece difícil" chegar a um acordo neste prazo, admitiu na sexta-feira.
Segundo um funcionário palestino, Israel não quer cumprir as "exigências mínimas" do Hamas, que adverte que não aceitará uma troca de reféns e prisioneiros sem a retirada das forças israelenses de Gaza.
O.Schlaepfer--VB