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Ciclista afegã que se disfarçava de homem para treinar conquista medalha de prata nos Jogos Asiáticos
Fariba Hashimi, que no início da carreira se disfarçava de homem para poder treinar no Afeganistão, conquistou uma medalha de prata no ciclismo nesta terça-feira (22) nos Jogos Asiáticos, um prêmio que ela espera que inspire outras mulheres em seu país, onde os talibãs reduziram as liberdades das mulheres.
Na prova de estrada disputada perto de Nagoya, Japão, a jovem ciclista de 23 anos, que atualmente mora na Itália, terminou na segunda colocação, superada no sprint apenas pela chinesa Li Guo.
"Não consigo explicar o que estou sentindo agora", disse a atleta após cruzar a linha de chegada. Ela recordou que, no início de sua carreira, foi apedrejada quando saía para treinar em seu país, motivo pelo qual precisou se disfarçar de homem.
"Nasci em um país onde as mulheres que sonham são atacadas. Estou muito feliz por lutar contra isso", afirmou.
"Espero que a próxima geração possa vir aqui e representar seu país sem nenhum medo", acrescentou.
Os talibãs voltaram ao poder em 2021 e, desde então, impuseram uma série de normas que limitam o acesso das mulheres à educação e à vida pública, inclusive ao esporte.
"Eles tiraram nossa liberdade, tiraram tudo", denunciou Hashimi, natural da província de Faryab, no norte do Afeganistão, país que ela deixou depois que as autoridades talibãs assumiram o governo.
"Esta medalha de prata pode demonstrar muita resiliência das mulheres afegãs. Estou muito feliz. Não estou sozinha, sei que atrás de mim há milhões de mulheres, de muitos países, que têm o mesmo sonho e estão comigo", disse.
Depois de fugir do Afeganistão com a ajuda da ex-campeã mundial italiana Alessandra Cappellotto, Hashimi mudou-se para a Itália, onde vive e treina atualmente.
Ela e sua irmã Yulduz, também ciclista profissional, competiram nos Jogos Olímpicos de Paris há dois anos e pretendem disputar os Jogos de Los Angeles-2028.
C.Stoecklin--VB