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Lula propõe à Celac moção para exigir 'fim imediato' do 'genocídio' em Gaza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs, nesta sexta-feira (1º), uma moção da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para exigir o "fim imediato" do "genocídio" em Gaza, durante uma reunião do bloco latino-americano na ilha caribenha de São Vicente e Granadinas.
"Quero aproveitar a presença do secretário-geral da ONU, meu companheiro António Guterres, para propor uma moção da Celac pelo fim imediato desse genocídio", declarou Lula, que define assim a campanha militar israelense em Gaza.
O seu pedido surge um dia depois de mais de cem pessoas terem morrido durante uma operação de distribuição de ajuda humanitária no norte de Gaza, sob disparos de soldados israelenses e em tumultos no meio da confusão.
A Celac realiza essa cúpula em Kingstown com a presença de Lula e de outros líderes de esquerda, como o colombiano Gustavo Petro, o venezuelano Nicolás Maduro e o cubano Miguel Díaz-Canel.
"A tragédia humanitária em Gaza requer de todos nós a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino. As pessoas estão morrendo na fila para obter comida. A indiferença da comunidade internacional é chocante", continuou Lula.
Lula instou Guterres a invocar o Artigo 99 da Carta das Nações Unidas para que o Conselho de Segurança se pronuncie sobre a situação em Gaza, que "ameaça a paz e a segurança internacional".
O presidente tem sido uma das vozes mais críticas de Israel, depois que o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, lançou uma ofensiva contra o Hamas há mais de quatro meses em retaliação ao ataque do grupo islamista que deixou quase 1.160 mortos.
"Já são mais de 30 mil mortos. As vidas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão em jogo. As vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo", disse Lula na cúpula.
Lula acusou Israel de cometer "genocídio" na Faixa de Gaza pela primeira vez em 18 de fevereiro e comparou as ações do Exército israelense contra o Hamas a "quando Hitler resolveu matar os judeus".
Após essas declarações, Israel declarou Lula "persona non grata" e exigiu que pedisse desculpas. Além disso, convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv.
Por sua vez, o Brasil chamou o seu para consultas e convocou o representante israelense em Brasília.
C.Bruderer--VB