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Em rara aparição na CNN, um Trump combativo se recusa a aceitar derrota eleitoral
Um Donald Trump combativo fez uma rara aparição ao vivo na rede CNN na quarta-feira (10). No ar, repetiu suas falsas alegações de fraude na eleição de 2020 e disparou insultos. Também zombou de uma ex-colunista de revista, que o acusou de abuso sexual e de difamação, em um processo no qual o republicano foi declarado culpado.
Trump participou do "CNN Town Hall", de cerca de uma hora de duração, um programa que ele denunciava constantemente como "fake news" durante seu mandato na Casa Branca. No episódio de ontem, o republicano respondeu um amplo leque de perguntas, incluindo sobre guerra na Ucrânia, limite da dívida, imigração e seus inúmeros desafios na Justiça.
Esse "town hall", como é conhecido na política americana esse tradicional debate com os eleitores, significou o retorno do republicano à emissora, da qual esteve ausente desde 2016.
“A maioria das pessoas entende que o que aconteceu foi uma eleição fraudada”, afirmou Trump sobre sua derrota nas presidenciais de 2020 para o democrata Joe Biden.
Se reeleito, ele disse que perdoará uma "grande parte" das centenas de seus apoiadores presos por seu envolvimento no ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio americano, em Washington, DC.
"Eles estavam lá com amor em seus corações", acrescentou o republicano, de 76 anos, sobre os invasores que tentaram impedir a certificação da vitória eleitoral de Biden, então em curso no Congresso.
Favorito para a indicação presidencial republicana na corrida presidencial de 2024, Trump se recusou a assumir o compromisso de aceitar, sem reservas, os resultados da próxima disputa pela Casa Branca, ao ser pressionado pela âncora da CNN Kaitlin Collins, mediadora do evento.
“Se eu achar que é uma eleição honesta, com certeza eu aceitaria”, disse Trump.
O ex-presidente também comentou as tensas negociações entre a Casa Branca do democrata Joe Biden e o Congresso sobre o aumento do limite da dívida dos Estados Unidos. Em sua fala, convocou os legisladores republicanos a não fazerem isso, se os democratas não concordarem com os cortes de gastos.
“Eu digo que os republicanos lá fora, congressistas, senadores, se eles não fizerem cortes em massa, vocês terão que entrar em default”, afirmou Trump, antes de rapidamente acrescentar que considera esse cenário improvável.
Sobre a guerra na Ucrânia, Trump disse que o presidente russo, Vladimir Putin, cometeu um "tremendo erro" ao invadir o país vizinho, mas se recusou a dizer quem ele quer que ganhe a guerra, ou se continuaria a fornecer assistência militar à Ucrânia, se fosse reeleito.
"Não penso em termos de ganhar e perder. Penso em termos de resolver as coisas", explicou.
"Eles estão morrendo, russos e ucranianos. Quero que parem de morrer e farei isso em 24 horas", completou.
Trump criticou Biden por sua forma de lidar com a imigração. Para ele, esta quinta-feira (11), com o fim da "Título 42", uma política implementada por ele durante a covid-19, será um "dia da infâmia" ao longo da fronteira dos Estados Unidos com o México.
"Você vai ter milhões de pessoas entrando no nosso país", antecipou, sugerindo que voltaria a instituir a política de separação de famílias na fronteira.
"Quando você tem essa política, as pessoas não vêm", disse ele. "Eu sei que parece duro", completou.
- 'Mais quatro anos disso?' -
A passagem pela CNN foi vista como o primeiro grande teste da campanha presidencial de 2024 para Trump, que, desde o anúncio de sua candidatura, fez apenas alguns poucos comícios para multidões.
Biden, que anunciou no mês passado que tentará a reeleição, respondeu à aparição de Trump com um chamado de arrecadação de fundos.
"É simples, pessoal", tuitou. "Vocês querem mais quatro anos disso?".
A aparição na CNN ocorreu apenas um dia depois de Trump ter sido condenado por um júri de Nova York a pagar US$ 5 milhões (por volta de R$ 24,7 milhões na cotação atual) em danos à agora ex-colunista da revista "Elle" E. Jean Carroll. Ela o acusou de tê-la estuprado no provador de uma loja de departamentos de Manhattan em 1996.
Trump repetiu veementemente suas negativas e chamou Carroll de "maluca".
Ainda sobre processos na Justiça, disse se tratar do "trabalho dos democratas" para minar sua pré-candidatura para ser o indicado republicano à eleição de 2024.
"Estão fazendo isso para interferir nas eleições", minimizou.
No programa, Trump trocou uma série de palavras ásperas com Collins, ex-correspondente da CNN na Casa Branca, chamando-a de "pessoa desagradável" em um ponto, enquanto jogava para uma amigável plateia republicana, que respondeu com repetidos aplausos e risadas.
De acordo com a emissora, o público era composto de republicanos do estado de New Hampshire e de eleitores não declarados que planejam votar nas primárias presidenciais republicanas de 2024 do estado, as primeiras do país.
A CNN recebeu algumas críticas por dar o horário nobre a Trump. O canal defendeu sua decisão, afirmando que planeja oferecer o mesmo formato de "Town Hall" a outros pré-candidatos à Presidência.
T.Bondarenko--BTB