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O que aconteceu com os laterais brasileiros?
Uma legião de laterais estrangeiros cresce no futebol brasileiro, onde surgiram lendas como Cafu e Roberto Carlos, com 14 dos 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, que começa na próxima quarta-feira (28), tendo pelo menos um deles em seus elencos.
A janela de transferências trouxe novos recrutas: o argentino Román Gómez (Bahia), o equatoriano Ángelo Preciado (Atlético-MG) e o uruguaio Pedro Milans (Corinthians).
E não se trata apenas de quantidade.
Os "forasteiros" têm papéis fundamentais, como os uruguaios Guillermo Varela, do Flamengo, e Joaquín Piquérez, do Palmeiras.
Enquanto isso, os laterais brasileiros estão em observação: o técnico da Seleção, Carlo Ancelotti, tem dúvidas em ambos os lados para a Copa do Mundo deste ano.
O que aconteceu com os laterais brasileiros?
- Saída precoce rumo à Europa -
Grandes laterais ofensivos fazem parte do DNA do Brasil: Carlos Alberto e Everaldo brilharam na mítica Seleção tricampeã mundial em 1970, Cafu e Roberto Carlos deixaram sua marca e conquistaram o penta em 2002 e, mais recentemente, Daniel Alves e Marcelo também tiveram destaque.
Hoje eles fazem falta.
"Os clubes estão contratando cada vez mais jogadores estrangeiros, e os jogadores brasileiros estão indo para a Europa cada vez mais cedo (...) A gente pega os laterais muito jovens... ainda não estão prontos", diz à AFP Marcio Dolzan, jornalista do portal 'Lance!'.
Dolzan acredita que esse contexto tem uma influência particular no caso dos laterais, que segundo ele acabam sendo treinados em "escolas diferentes" da brasileira, que priorizam seu potencial defensivo.
Quando Cafu chegou à Europa em 1995, para jogar pelo Zaragoza da Espanha, ele tinha 24 anos e já havia conquistado a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes duas vezes pelo São Paulo.
Além disso, também já tinha sido campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994.
Em contrapartida, Caio Henrique, atualmente no Monaco, fez as malas rumo ao Velho Continente aos 18 anos.
- Incógnitas para Copa do Mundo -
Ancelotti, que estreou no comando da Seleção em junho do ano passado e garantiu a classificação para a Copa do Mundo, continua fazendo testes.
Pelo lado esquerdo, já utilizou o próprio Caio Henrique, além de Alex Sandro (Flamengo) e Douglas Santos (Zenit).
Na direita, jogaram com Ancelotti Paulo Henrique (Vasco), Vanderson (Monaco), Vitinho (Botafogo) e Wesley (Roma). Também foi escalado na função o zagueiro Éder Militão (Real Madrid), que teve boa atuação na vitória do Brasil por 2 a 0 sobre Senegal em amistoso disputado em Londres, em novembro.
"É uma opção que podemos usar na Copa do Mundo para dar mais solidez defensiva à equipe", comentou o treinador italiano.
Dolzan, ironicamente, conclui sobre Militão: "O melhor lateral é um zagueiro".
- "Tem que correr muito" -
Por outro lado, as equipes de base priorizam jovens que atuam como pontas, observa o ex-lateral-direito Ronald Cabral, supervisor técnico do projeto Guerreirinhos, escolinha de futebol do Fluminense.
"A garotada acha que tem que correr muito", e por isso eles não sentem vontade de jogar na lateral, explica Cabral à AFP.
"Você tem 200 garotos e pergunta: 'lateral-direito?', ninguém levanta o dedo. 'Atacante?', todo mundo levanta o dedo", continua o ex-jogador, que se orgulha das promessas do clube carioca, como o lateral-direito Julio Fidelis, de 19 anos.
Em meio às preocupações, o próprio Cafu pede calma.
"Nós temos grandes laterais (...), aptos hoje a realmente honrar e vestir a camisa dos times que estão passando, principalmente da Seleção Brasileira, mas é uma questão de tempo e adaptação", disse o capitão do penta à CNN.
Enquanto isso, jovens laterais estrangeiros estão de olho no futebol brasileiro não só pelo aspecto financeiro, mas também como vitrine para a Europa.
"Um dos meus objetivos é jogar nas grandes ligas da Europa e na seleção [da Argentina]. Sei que posso dar esse salto aqui", disse Román Gómez, de 19 anos, ao ser apresentado no Bahia.
D.Bachmann--VB