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Nepal e China lutam para encontrar quase 3 mil desaparecidos após tragédia
As equipes de resgate no Nepal e na China continuam com seus esforços, neste sábado (29), para localizar milhares de pessoas após o deslizamento de terra mortal que atingiu uma região fronteiriça do Himalaia esta semana, soterrando bairros inteiros.
O número de desaparecidos subiu para quase 3 mil (2.426, incluindo centenas de estrangeiros, em território nepalês, e 556 no lado chinês), de acordo com dados oficiais de ambos os países.
Enquanto isso, 682 corpos foram recuperados; 675 deles no lado nepalês e 7 no território chinês do Tibete, que é em grande parte inacessível a jornalistas estrangeiros.
Além disso, sete corpos encontrados dezenas de quilômetros rio abaixo, no norte da Índia, estão sendo identificados e podem ser adicionados à lista de vítimas do desastre.
As equipes de resgate trabalham em condições extremamente difíceis devido à espessa camada de lama que cobre as áreas afetadas.
Kawan Koirala, membro da Equipe de Resposta a Desastres do Nepal, explicou que os esforços de busca avançam com dificuldade.
"As pessoas querem recuperar os corpos de seus parentes, vivos ou mortos, mas não conseguimos encontrá-los (...) elas só veem a lama", disse à AFP, visivelmente exausto após uma jornada de trabalho de 18 horas.
"É muito traumático para mim também. É a primeira vez que vejo algo assim. Tem lama por toda parte. Já tivemos enchentes no Nepal antes, mas não como esta", acrescentou.
Na quarta-feira, uma enorme avalanche de lama, atribuída ao colapso de uma geleira, soterrou casas, destruiu pontes e arrastou veículos tanto no Nepal quanto na região autônoma chinesa do Tibete.
Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, as mudanças climáticas provocam o derretimento de geleiras em todo o mundo, aumentando o risco de desastres como esse.
"O colapso repentino da geleira e a enxurrada súbita são um lembrete devastador de quão frágeis podem ser esses ambientes montanhosos", afirmou em comunicado Simon Stiell, responsável pelo clima na ONU.
"Sabemos que o aquecimento global, provocado pela queima de quantidades colossais de carvão, petróleo e gás pela humanidade, está tornando tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves, e que as comunidades vulneráveis são muitas vezes as mais afetadas", ressaltou.
- Busca desesperada de familiares -
Em uma região onde há grandes projetos de infraestrutura energética, a autoridade de gestão de desastres do Nepal adicionou 933 trabalhadores à sua lista de desaparecidos.
Essa lista já incluía dezenas de excursionistas e peregrinos que se dirigiam ao sagrado monte Kailash, no Tibete.
Aqueles que conseguiram escapar com vida dizem ter perdido tudo e agora enfrentam uma espera angustiante para saber o destino de seus entes queridos desaparecidos, além da perspectiva de reconstruir suas vidas do zero.
"Todos os assentamentos perto do rio foram destruídos. Não sobrou nada", disse o sobrevivente Buddhi Ram Dangol à AFP.
Em uma base militar em Bidur, que está sendo usada como centro de operações de resgate, parentes se aglomeravam em torno de listas de sobreviventes coladas em uma parede.
"Vim aqui procurar meu filho", disse Kalka Sharda. "Ele trabalhava na usina hidrelétrica, mas não consigo encontrar o nome dele, e as autoridades não dizem nada."
Uma das principais operações de resgate está concentrada em uma usina hidrelétrica, onde cerca de 100 pessoas permanecem presas em um túnel desde o desastre.
Na última hora deste sábado, o Exército do Nepal conseguiu introduzir um tubo em um túnel da central, informou o ministro do Interior do Nepal, Sudan Gurung.
"Estamos enviando ar por meio da pequena abertura e vamos iniciar os trabalhos de escavação e enviar a equipe de resgate para dentro", declarou o ministro em um comunicado.
- Reconstrução cara -
A busca pelos desaparecidos foi agravada pelo temor de novas inundações nas áreas afetadas, devido à formação de grandes represas de água.
Além disso, em algumas áreas afetadas, a devastação generalizada causa a escassez de alimentos e água potável.
As autoridades também indicaram que resgataram 555 turistas e 499 residentes chineses que estavam isolados naquela região autônoma.
Os chanceleres do Nepal e da China conversaram neste sábado e concordaram em compartilhar mais dados hidrológicos e de satélite para favorecer as operações de resgate e de prevenção, informaram ambas as partes.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estimou que a reconstrução das regiões devastadas e da infraestrutura custará "vários bilhões de dólares".
burs-oho/fox/arm-meb/avl/aa/am
C.Bruderer--VB