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Polícia espanhola transfere cerca de 1.700 migrantes para o porto de Ceuta
As autoridades iniciaram, nesta sexta-feira (18), a transferência de migrantes instalados precariamente nas praias de Ceuta para barracas temporárias com capacidade para 1.700 pessoas no porto do enclave espanhol no norte da África, informou a delegação do governo.
Nos estágios iniciais da operação, que começou às 6h30, horário local (1h30 no horário de Brasília) e terminou ao meio-dia - a polícia agiu para conter as filas e as multidões de pessoas que queriam garantir uma das 1.700 vagas cobiçadas no local, depois de semanas se concentrando principalmente nas praias.
"Este é um passo fundamental. Todos sabemos que é importante realojar estas pessoas e que elas não durmam na rua e na praia, para que possam ser identificadas e, portanto, para agilizar o processo", afirmou o ministro da Transformação Digital, Óscar López.
No início da tarde, "todos os lugares disponíveis em barracas nos dois terrenos do porto" já estavam "ocupados", disse uma fonte do governo à AFP, acrescentando que o número total de lugares instalados em espaços de acolhimento temporários na cidade autônoma era de "6.000".
Dezenas de milhares de migrantes entraram no fim de julho no pequeno enclave e, embora a maioria tenha retornado ao Marrocos, milhares de pessoas permaneceram em situação precária no território de 80.000 habitantes.
Ainda se desconhece quantas pessoas estavam nas praias da cidade de 18,5 km², mas as autoridades acreditam que o número é superior às vagas oferecidas na nova estrutura do porto, onde os migrantes terão acesso a "chuveiros, banheiros, alimentação e camas novas", disse à AFP uma fonte da delegação do governo em Ceuta.
A transferência começou algumas horas após um tribunal rejeitar o pedido de um sindicato policial para interromper o traslado para as barracas temporárias instaladas no porto pelo governo espanhol, em meio a uma disputa com a administração local.
Diante da recusa da autoridade portuária de Ceuta, o governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez — muito criticado pela direita e pela extrema direita por esta crise — decidiu tirar o controle desta instalação da administração de Ceuta, governada pelo opositor Partido Popular (direita).
As estruturas devem servir para alojar parte dos migrantes que continuam na pequena cidade autônoma após a entrada de quase 70.000 pessoas procedentes do Marrocos, aliviando a pressão em algumas áreas.
As autoridades locais calculam que 13.000 pessoas permaneceram em Ceuta, mas o governo central tem uma estimativa significativamente inferior.
Desde o início da crise, vários momentos de tensão foram registrados no enclave situado no norte da África, assim como protestos recorrentes da população local, que exige o retorno à normalidade.
O governo central busca agilizar a devolução dos migrantes, mas, segundo a legislação, deve identificar cada um para determinar se a pessoa tem direito a asilo ou pode ser devolvida, enquanto milhares de menores de idade devem receber proteção especial.
F.Mueller--VB