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China cresceu 5% em 2025, nível mais baixo em décadas
A China anunciou nesta segunda-feira (19) que sua economia cresceu 5% em 2025, um dos ritmos mais baixos das últimas décadas, em um contexto de consumo interno fraco e crise da dívida no setor imobiliário.
As autoridades da segunda maior economia do mundo haviam estabelecido uma meta de crescimento de "em torno de 5%" para 2025, após uma expansão de 5% em 2024.
Analistas apontaram que o crescimento foi impulsionado principalmente pelas exportações e que esconde as fragilidades internas da economia chinesa.
A economia cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, em linha com as expectativas, embora tenha registrado uma desaceleração significativa no fim do ano.
"O impacto das mudanças no ambiente externo se aprofundou", admitiu Kang Yi, do Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).
"A contradição interna entre uma oferta forte e uma demanda fraca é evidente", acrescentou em entrevista coletiva, reconhecendo que "ainda persistem muitos problemas".
Em uma tentativa de estimular o consumo, o governo chinês flexibilizou sua política fiscal e está subsidiando a compra de produtos para o lar. As políticas e medidas para fomentar o consumo continuarão em 2026, afirmou Kang.
"A implementação gradual de políticas para eliminar restrições irracionais no setor de consumo dará suporte ao crescimento do consumo", assegurou.
O comércio varejista, indicador-chave do gasto interno, cresceu 0,9% em dezembro, o nível mais baixo desde a pandemia de covid-19 em 2022, segundo dados da ONE. No conjunto de 2025, as vendas no varejo desaceleraram para 3,7%, ante 4% em 2024.
- "Resiliência das exportações" -
Segundo Zichun Huang, analista da Capital Economics, a queda nas vendas pode refletir o impacto decrescente dos subsídios ao consumo. No entanto, os números gerais possivelmente exageram a força da economia, acrescentou.
A produção industrial cresceu 5,2% em dezembro, ante 5,8% no mesmo mês de 2024, informou a ONE. Ainda assim, o resultado de dezembro foi ligeiramente superior ao de novembro.
"A atividade de dezembro sugere que o crescimento produtivo ganhou algum impulso no fim do ano, mas isso se deveu em grande parte à resiliência das exportações", afirmou Huang.
"Esperamos que o crescimento deste ano seja ao menos ligeiramente inferior ao de 2025", projetou a analista.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca há um ano e a retomada de uma agressiva guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo agravaram os problemas de Pequim.
O presidente chinês, Xi Jinping, e Trump chegaram a uma trégua provisória em uma reunião no fim de outubro, ao concordarem com uma pausa nas medidas mais restritivas, incluindo tarifas recíprocas elevadas.
Dados oficiais mostram que as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 20% em 2025, embora o número tenha tido pouco impacto na demanda por produtos chineses em outros mercados.
G.Haefliger--VB