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HRW denuncia 'desaparecimento forçado' em El Salvador de imigrantes deportados pelos EUA
A ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou, nesta segunda-feira (16), que o governo do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, mantém em "desaparecimento forçado" pelo menos 11 imigrantes de seu país que foram deportados pelos Estados Unidos no ano passado.
Há um ano, Bukele, aliado do presidente americano Donald Trump, recebeu e encarcerou em seu mega-presídio para membros de gangues (Cecot) aproximadamente 260 imigrantes venezuelanos e cerca de 30 salvadorenhos, aos quais os dois mandatários acusaram de pertencer às organizações criminosas Tren de Aragua e Mara Salvatrucha (MS-13).
Os venezuelanos foram libertados quatro meses depois em uma troca com americanos presos pela Venezuela, mas se desconhece em quais prisões ou como se encontram os salvadorenhos, segundo um comunicado da HRW.
"El Salvador submeteu ao desaparecimento forçado e deteve de forma arbitrária salvadorenhos deportados", denunciou a organização, que urgiu o governo a "revelar seu paradeiro".
A HRW documentou o desaparecimento de 11 salvadorenhos deportados, dos quais oito chegaram junto com os venezuelanos e três posteriormente, detalhou à AFP Juan Pappier, vice-diretor para as Américas da HRW, que não descartou que as pessoas com paradeiro desconhecido sejam, inclusive, mais numerosas.
A denúncia surge uma semana depois de um grupo de juristas internacionais acusar o governo de Bukele de cometer "crimes contra a humanidade", como torturas e desaparecimentos, em sua "guerra" contra as gangues, o que foi refutado pelo presidente.
Em seu informe divulgado em Washington, a HRW menciona que entrevistou cerca de 20 familiares e advogados dos 11 "desaparecidos", e que a nenhum "foi permitido" se comunicar com eles.
Tampouco há evidências de que tenham sido apresentados perante um juiz.
Entre os salvadorenhos deportados junto com os venezuelanos havia um conhecido líder da Mara Salvatrucha, considerada uma organização terrorista por El Salvador e pelos Estados Unidos.
Mas, "nem as autoridades americanas, nem as salvadorenhas forneceram evidências (...) que sustentem a afirmação de que os demais deportados sejam" membros de gangues, destacou a HRW.
A diretora para as Américas da HRW, Juanita Goebertus, disse que "a deportação não pode significar um desaparecimento forçado" e que, "independentemente dos antecedentes criminais", os envolvidos "têm direito a um julgamento justo".
"O desespero das famílias para encontrar seus entes queridos desaparecidos evoca os dias mais obscuros das ditaduras na América Latina", disse Goebertus no comunicado.
No X, Bukele acusou as ONGs de se tornarem "escritórios legais dos delinquentes", ao rejeitar as críticas à sua política de segurança que reduziu a violência a níveis mínimos históricos, mas é acusada de violar os direitos humanos.
A.Zbinden--VB