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Sabalenka vs. Kyrgios, entre o 'show' e a 'Batalha dos Sexos'
A número 1 do mundo no tênis feminino, a bielorrussa Aryna Sabalenka, e o excêntrico jogador australiano Nick Kyrgios terão um encontro neste domingo (28), em Dubai, em um jogo amistoso que os organizadores chamaram de "Batalha dos Sexos".
Apesar do título, o duelo tem pouco a ver com a vitória da lendária Billie Jean King sobre Bobby Riggs em 1973.
"Não é a mesma coisa", declarou 'BJK' em entrevista à BBC, que vai transmitir a partida.
Em 1973, "eu tinha que vencer [Riggs] em nome da mudança social. Existiam muitos motivos para vencer", acrescenta a ex-número 1 do mundo.
O circuito feminino, que então dava seus primeiros passos, buscava afirmar sua legitimidade, com premiações para as jogadoras muito inferiores em relação ao tênis masculino.
"Foi um jogo muito politizado (...) Não é o caso de agora", reiterou a americana, que bateu Riggs por 3 sets a 0 (6-4, 6-3 e 6-3) em Houston, diante de um público 30 mil pessoas e de dezenas de milhões de telespectadores.
- "Dar show" -
No domingo, contra Kyrgios, o objetivo será "se divertir e colocar esse cara em uma posição incômoda", resumiu Sabalenka no início de dezembro.
Só em 2025, a bielorrussa acumulou mais de US$ 15 milhões (R$ 83 milhões na cotação atual) em premiações de torneios, segundo a WTA.
"Imagino que, para nós dois, o objetivo é fazer este esporte crescer", avaliou Kyrgios em entrevista ao apresentador britânico Piers Morgan, que recebeu os dois protagonistas em seu programa no dia 9 de dezembro.
"A primeira coisa que quero é que as pessoas vejam tênis", acrescentou o australiano, que está decidido a "dar um show" e "se divertir um pouco".
Finalista de Wimbledon em 2022 e ex-número 13 do mundo, Kyrgios caiu drasticamente no ranking desde então, atrapalhado pelas múltiplas lesões.
Atualmente ele ocupa o posto 672 no ranking da ATP e só disputou seis jogos oficiais ao longo das últimas três temporadas.
"É um desafio para cada um de nós dois: Nick está há um tempo sem jogar, então é um bom início para ele. E para mim, estou me preparando para enfrentar um jogador com um grande saque, um cara que pode te enlouquecer", tanto pelo seu comportamento às vezes explosivo como pelo seu tênis brilhante, destacou Sabalenka, vencedora de quatro Grand Slams.
- Diferenças entre tênis masculino e feminino -
"O que o tênis feminino pode tirar essa partida?", questionou a australiana Rennae Stubbs, ex-especialista em duplas, ecoando as preocupações levantadas na imprensa sobre se é adequada ou não a realização do evento.
"A menos que ele [Kyrgios] esteja gravemente lesionado e incapaz de correr, ele vencerá a partida com muita facilidade", lamentou Stubbs, que conquistou quatro torneios de Grand Slam com diferentes parceiras no início dos anos 2000.
"A única razão pela qual esse jogo está acontecendo é porque a Evolve [agência que cuida dos interesses de Kyrgios e Sabalenka] decidiu ganhar um pouco de dinheiro", disse a ex-número 1 de duplas em seu podcast.
Para haver um equilíbrio, o duelo será decidido em melhor de três sets e as regras foram ajustadas.
Ambos os jogadores terão um único serviço, e o lado da quadra de Sabalenka terá uma superfície 9% menor que a metade de Kyrgios.
"Se jogássemos em uma quadra inteira, com as regras normais, seria muito difícil competir contra homens", declarou Sabalenka.
"Mas, nessas condições, sinto que talvez tenha mais opções para lutar", acrescentou a bielorrussa.
Para a ex-jogadora espanhola Garbiñe Muguruza, o debate sobre a real diferença entre o tênis masculino e o feminino está claro.
"Mesmo no meu auge, quando eu era a número 1, acho que um jogador júnior teria me vencido", disse Muguruza recentemente em entrevista à rádio Cadena Cope.
"Acho que um jogador que é número 1.000, ou mesmo sem ranking, pode ser muito melhor do que uma jogadora no Top 10 da WTA", considerou a espanhola.
A.Zbinden--VB