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Mais de 2.000 moderadores de conteúdo da Meta serão demitidos na Espanha
Mais de 2.000 moderadores de conteúdo que filtravam mensagens de ódio e vídeos violentos para uma empresa contratada pelo grupo Meta serão demitidos na Espanha, devido à flexibilização das políticas de regulação pelo gigante californiano.
A empresa canadense Telus International, que conta com um centro em Barcelona, "apresentou formalmente" um plano de regulamentação de empregos durante uma reunião com entidades representativas dos empregados, segundo um comunicado do sindicato Comissões Operárias (CO).
Este plano "representará a demissão da totalidade dos trabalhadores que realizavam tarefas de moderação de conteúdo" para a Meta, matriz do Facebook e Instagram, neste centro de Barcelona, "o que afetará a 2.059 pessoas", anunciou o sindicato.
O plano de demissões foi decidido após o cancelamento do contrato que ligava a Telus International, que operava na capital catalã como CCC Barcelona Digital Services, ao grupo californiano, segundo o CO, que afirmou ter assinado um acordo preliminar que prevê "a indenização máxima legalmente estabelecida" para os funcionários afetados.
"Segundo o acordo preliminar, as demissões ocorrerão em etapas durante os meses de maio, junho, julho e setembro de 2025. Os afetados receberão uma indenização de 33 dias por ano trabalhado", afirmou o sindicato UGT, que também assinou o documento.
Apesar do acordo, a CO destacou que "o setor de moderação requer o profissionalismo empregado por esses trabalhadores e trabalhadoras" e exigiu "um estímulo visível à criação de empregos estáveis".
A rescisão do contrato entre a Meta e a Telus International foi anunciada no início de abril por vários sindicatos espanhóis, que mencionaram 2.000 demissões, especificando que o número exato seria negociado.
Contatado na época pela AFP, um porta-voz da Telus se recusou a confirmar o número, afirmando apenas que as discussões estavam em andamento e que a empresa continuava trabalhando "de outros locais" com o "cliente", que não foi identificado.
- Mudança -
Contatado nesta segunda-feira, o porta-voz novamente se recusou a fornecer um número exato.
"A prioridade continua sendo dar suporte aos membros da equipe afetados durante essa transição, oferecendo assistência abrangente, incluindo oportunidades de realocação para o maior número possível de pessoas, sem afetar sua remuneração", acrescentou.
A Meta não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários da AFP.
No início de abril, a gigante californiana declarou que o fim de seu contrato com a Telus em Barcelona não significava uma redução em seus "esforços de revisão de conteúdo".
"Ainda temos cerca de 40.000 pessoas trabalhando em segurança, incluindo 15.000 revisores de conteúdo", disse o grupo presidido por Mark Zuckerberg na época, acrescentando que continuaria "trabalhando com a Telus em sua rede mundial".
Segundo os sindicatos, o centro de Barcelona trabalhava para a Meta desde 2018. Seus moderadores, sediados em um edifício conhecido na cidade, a Torre Glòries, revisavam conteúdo em espanhol, catalão, francês, holandês, hebraico e português.
A Meta, que investiu milhões de dólares nos últimos anos para monitorar conteúdo sensível, anunciou em janeiro o fim de seu programa de verificação nos Estados Unidos e atualizou sua política de moderação de conteúdo para excluir menos publicações e mensagens que poderiam violar seus padrões.
"Os verificadores de fatos têm sido muito parciais politicamente e mais destruíram credibilidade do que a construíram, especialmente nos Estados Unidos", disse na época o fundador e presidente da Meta, Mark Zuckerberg.
Essa medida foi vista como uma tentativa de reconciliação com o presidente americano, Donald Trump, que durante anos criticou a política de moderação da Meta.
P.Vogel--VB