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Musical 'Emilia Pérez' tropeça em sua corrida para o Oscar
Nuvens escuras pairam sobre o musical francês "Emilia Pérez" em sua corrida pelo Oscar. O filme rodado em espanhol causou sensação em sua estreia no Festival de Cannes, mas agora enfrenta polêmicas devido a tuítes de sua estrela Karla Sofía Gascón.
Atriz trans espanhola radicada no México, Gascón era uma séria candidata ao prêmio de melhor atuação feminina, até que alguns tuítes que ela postou anos atrás sobre a presença muçulmana na Espanha e outras questões sociais ou políticas vieram à tona.
"É impressão minha ou há cada vez mais muçulmanos na Espanha?". Este foi um dos muitos tuítes que a atriz postou entre 2020 e 2021, quando era relativamente desconhecida em seu país de origem.
Também criticou os tumultos causados pela morte de George Floyd nos Estados Unidos em maio de 2020.
Os tuítes foram excluídos, mas depois recuperados por um jornalista e publicados na revista especializada Vanity Fair.
A Netflix, que organiza a campanha promocional nos Estados Unidos, excluiu a atriz, que interpreta uma traficante que quer mudar de sexo, dos próximos eventos de "Emilia Pérez".
Gascón, 52 anos, pediu desculpas publicamente, mas declarou que "foi condenada, sacrificada e apedrejada sem julgamento".
"Não posso renunciar à minha indicação. Não cometi nenhum crime", declarou à CNN em espanhol.
O filme, criado e dirigido pelo francês Jacques Audiard, está indicado a 13 Oscars, e a votação dos mais de 10.000 membros da Academia de Hollywood já havia começado antes da polêmica começar.
O filme ganhou o Prêmio do Júri em Cannes e Karla Sofía Gascón, Selena Gómez, Zoe Saldaña e Adriana Paz levaram o prêmio conjunto de melhor interpretação feminina.
- O impacto no México -
A polêmica não se resume à atriz principal, mas também se estende à maneira como "Emilia Pérez" retrata questões tão delicadas no México, como tráfico de drogas, migração e corrupção.
"Emilia Pérez" teve boas bilheterias na França e em outros países, mas no México a avalanche de críticas foi considerável.
O órgão federal de proteção ao consumidor anunciou em 24 de janeiro que entrou em contato com a rede de cinemas Cinépolis para garantir que os usuários insatisfeitos com o filme pudessem ser reembolsados.
O filme foi rodado inteiramente em estúdios na França, e as músicas, embora tocadas em espanhol, foram criadas por uma dupla de músicos franceses.
"O filme banaliza o problema dos desaparecidos no México", criticou Artemisa Belmonte, autora de uma petição no change.org para se opor ao lançamento nos cinemas.
"Minhas intenções me parecem virtuosas, mas noto um problema [no México] na aceitação do longa-metragem", disse Audiard à AFP após suas indicações ao Oscar.
"Tráfico de drogas: não podíamos falar sobre isso! Mas era importante para mim, talvez eu tenha feito isso de forma desajeitada!", disse.
S.Spengler--VB