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Há 400 mil anos, os hominídeos aprenderam a acender o fogo
Pesquisadores do British Museum descobriram evidências de que humanos eram capazes de acender fogo deliberadamente há 400 mil anos, muito antes do que se acreditava, anunciou a instituição nesta quarta-feira (10).
A capacidade humana de produzir fogo é considerada um dos marcos cruciais da evolução, por ter permitido não apenas aquecimento, mas também socialização e o cozimento dos alimentos, o que contribuiu para o desenvolvimento do cérebro.
Há vestígios de uso de fogo por humanos de até 1 milhão de anos, na África, mas se considera que tinham origem natural.
Encontrar provas sólidas da capacidade de produzir fogo é difícil, devido ao desaparecimento dos vestígios ao longo do tempo.
Foi isso que uma equipe de pesquisadores do British Museum conseguiu demonstrar em um sítio arqueológico perto da vila de Barnham, em Suffolk, no nordeste de Londres.
A evidência anterior mais antiga de acendimento deliberado datava de cerca de 50 mil anos, onde fica a França atual.
"É a descoberta mais extraordinária dos meus 40 anos de carreira", comemorou Nick Ashton, curador do British Museum e autor principal do estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature, durante entrevista coletiva.
Os pesquisadores acreditam que o hominídeo capaz de controlar o fogo era um neandertal, já que fósseis dessa espécie foram encontrados na região.
O sítio de Barnham foi identificado pela primeira vez no fim do século XIX. O primeiro indício de que poderia ter abrigado uma fogueira surgiu em 2021, quando cientistas detectaram sedimentos que tinham sido aquecidos intencionalmente.
Após quatro anos de um trabalho minucioso, provou-se que essas cinzas não tiveram origem natural.
"O momento-chave foi a descoberta de pirita de ferro", explicou Ashton.
Esse mineral é usado para produzir faíscas que iniciam o fogo. A pirita é muito rara na região, o que indica que foi levada até o local com essa finalidade, destacam os pesquisadores.
Havia também machados de pedra que podem ter sido usados para triturar a pirita.
Sarah Hlubik, piroarqueóloga do Saint Mary’s College de Maryland, nos Estados Unidos, e que não participou do estudo, disse à AFP que se trata "de uma descoberta verdadeiramente empolgante".
Saber produzir o próprio fogo, em vez de depender de ocorrências naturais, mudou o curso da evolução humana.
O calor permitiu explorar territórios mais frios e possibilitou que grupos humanos se reunissem ao anoitecer.
Mas o principal avanço foi a mudança na dieta, já que "somos os únicos seres na Terra ligados a alimentos cozidos", destacou Hlubik.
Cozinhar, especialmente carne, permitiu economizar energia antes destinada à digestão, o que contribuiu para o desenvolvimento intelectual.
L.Maurer--VB