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Argentino Trapero exibe na Europa seu primeiro filme em inglês que o 'mundo todo pode se identificar'
O diretor argentino Pablo Trapero apresentou na terça-feira (14), no Festival de Cinema de Londres, e pela primeira vez na Europa, seu filme '& Sons', com o qual "pessoas do mundo todo podem se identificar", afirmou à AFP.
O filme, exibido a nível internacional em 7 de setembro no Festival de Cinema de Toronto, tem como protagonista um escritor famoso que sofre uma crise existencial.
O literato, com uma relação fragmentada com seus filhos e sua ex-mulher, está convencido de que sua vida está próxima do fim e chama a todos para falar de seu passado.
Trapero, de 54 anos, que ganhou o Leão de Prata por melhor direção no Festival de Veneza de 2015 com o filme 'O Clã', explicou à AFP que '& Sons' recria um "retrato de família".
"Não estamos falando apenas, é claro, de Andrew (Dyer, o personagem principal) e sua família. Isso também nos dá, espectadores, a oportunidade de refletir sobre nossas próprias dinâmicas e relações", acrescentou Trapero.
"E isso, acredito, é uma das maiores fortalezas de '& Sons'. É algo com que as pessoas do mundo todo podem se identificar", disse o diretor argentino.
- Adaptação de um romance -
O filme não está em competição nesta 69ª edição do Festival de Cinema de Londres, que acontece entre os dias 8 e 19 de outubro.
A produção, com roteiro da canadense Sarah Polley, é uma adaptação do romance '& Sons', do americano David Gilbert, publicado em 2013.
O personagem principal desta coprodução entre Argentina, Reino Unido e Canadá é o escritor Andrew Dyer, interpretado pelo ator britânico Bill Nighy.
Outro ator britânico, George McKay, um dos quatros filhos do escritor no filme, esteve na exibição e destacou que o longa analisa as relações familiares.
"É sobre as repercussões e consequências de como somos com nossos entes queridos e o que isso significa para as pessoas que estão perto de nós", afirmou McKay.
Johnny Flynn, também britânico, que interpreta outro filho, afirmou que considera "fascinante, do ponto de vista psicológico", aprofundar-se nas relações familiares.
- Diretor "brilhante" -
No filme, segundo Flynn, "há alguém que o mundo ama (Andrew), mas você tem esse trauma pessoal em sua experiência com ele".
O britânico Arthur Conti, que interpreta outro filho do autor, descreveu Trapero como "brilhante" e a roteirista Polley como "uma gênia".
O filme é o décimo longa-metragem de Trapero, que depois o exibirá no festival de Cinema de Roma.
Trapero, um dos maiores expoentes do novo cinema argentino surgido em meados dos anos 90, dirigiu seu primeiro longa-metragem, 'Mundo grúa', em 1999.
Com esse primeiro trabalho, ele foi indicado ao Prêmio Goya na categoria Melhor Filme Ibero-Americano, prêmio que conquistaria em 2015 com 'O Clã'.
F.Mueller--VB